Curitiba - A Subcomissão Especial de Transgênicos apresentou ontem na Câmara dos Deputados o relatório com as informações coletadas durante sete meses de trabalho junto a institutos de pesquisa no Brasil e no exterior. No relatório, os deputados defendem um maior investimento do governo federal na área de pesquisa de manipulação genética e propõem uma legislação que possibilite maior agilidade na liberação das pesquisas, que segundo os parlamentares ainda apresentam muitos entraves burocráticos.
Segundo o presidente da comissão, o deputado paranaense Gustavo Fruet (PMDB), os investimentos na pesquisa são necessários. ''Não entramos na discussão sobre a produção e comercialização de produtos transgênicos. Mas é inegável a importância do Brasil manter-se atualizado nas pesquisas na área, para não ficar refém da tecnologia de países mais desenvolvidos'', afirmou Fruet.
Para o deputado, o debate sobre os transgênicos tem se pautado por questões ideológicas, o que seria um erro. ''Existe muita confusão sobre o que é um produto transgênico. Os institutos de pesquisa que desenvolvem pesquisas na agricultura e na área médica, por exemplo, precisam ter mais liberdade para desenvolver suas atividades. Um clima de caça às bruxas faz com que esses pesquisadores sejam vistos como se estivessem realizando atividades proibidas, quando na verdade estão trabalhando em campos importantes como as vacinas
contra dengue e febre amarela'', argumentou.
Apesar de ter uma postura mais moderada sobre o assunto do que o governador Roberto Requião (PMDB), que criticou empresas que lidam com pesquisas de transgênicos esta semana, Fruet posiciona-se ao lado do governo estadual em relação a lei que proibiu o comércio de produtos geneticamente modificados sancionada na segunda-feira. O deputado rebateu os argumentos do líder do PPS na Câmara, Roberto Freire (PE), que pretende entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade contra o governo paranaense.
Em resposta ao pronunciamento de Freire, Fruet afirmou que a lei não restringe as pesquisas na área. ''É uma lei que tem um interesse político, no sentido bom do termo, e econômico, pois visa garantir mais mercado nas exportações de soja do Estado'', disse.

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