Deputados aprovam venda do Del Paraná
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terça-feira, 12 de janeiro de 1999
Carmem Murara e Leandro Donatti 
O governo do Paraná está liberado para levar a leilão sua participação majoritária no Banco Del Paraná, o braço paraguaio do Banestado. A Assembléia Legislativa autorizou ontem à tarde o Banestado a se desfazer de todas as suas ações no banco, ou seja, de 75,4% do controle acionário. A Assembléia aprovou ainda a criação de uma comissão de cinco deputados estaduais, designados pelo presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), para acompanhar o processo de venda, ainda sem data definida, mas com urgência em ser concretizado.
A aprovação da mensagem assinada pelo governador Jaime Lerner (PFL) revoga uma lei sancionada durante o governo Álvaro Dias (PSDB, à época PMDB), prevendo a venda parcial dos papéis. A votação ontem foi tranquila e a matéria foi liquidada em primeira e segunda discussões, numa sessão normal e em outra extraordinária. As bancadas de oposição - PMDB, PT e parte do PDT e PSDB - votaram contra a medida, que hoje recebe redação final.
A principal crítica da oposição foi a falta de informações oficiais. Os deputados dizem que não sabem quanto vale o Del Paraná, por quanto será vendido e para onde vai o dinheiro resultante da venda das ações. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), disse que a última informação repassada pelo governo a ele dava conta de que o patrimônio do banco paraguaio está avaliado em cerca de R$ 15 milhões.
Estudo divulgado em novembro pela empresa de consultoria Ernst & Young avaliou o Del Paraná em US$ 20 milhões, sendo que a parte do Banestado poderia variar entre R$ 10,7 milhões e US$ 15 milhões, conforme a cotação no dia, no mercado financeiro. A venda do banco paraguaio é uma exigência do Banco Central do Brasil para o saneamento do Banestado, que precisa de R$ 4,4 bilhões para zerar as operações deficitárias e sair do Sistema Interbancário. O dinheiro obtido no leilão do Del Paraná será injetado no Banestado, como parte da contrapartida que o Estado tem de colocar no processo de saneamento.
Tanto o líder do governo quanto a oposição consideraram positiva a emenda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que cria a comissão de fiscalização da venda das ações. Segundo Rossoni, a idéia foi discutida em comum acordo com o governo. O deputado Orlando Pessuti (PMDB), um dos que votaram contra o leilão, disse que é necessário colocar a comissão em funcionamento. Temos que lembrar que a comissão formada para acompanhar a venda das ações da Copel não foi para a frente, afirmou. Ele disse que o governo se recusa a prestar as informações solicitadas.
O presidente da Assembléia informou que pretende designar três integrantes da base governista e dois deputados de oposição para comporem a comissão. Até o início da noite, o presidente da Assembléia ainda não havia divulgado os nomes.


