Deputado vai sugerir mudança de acordo
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sexta-feira, 23 de março de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
O presidente da Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Germano Rigotto (PMDB-RS,) apresentará segunda-feira uma proposta ao governo federal para mudar a forma de pagamento dos atrasados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ele irá sugerir que o governo federal venda os imóveis que possui em todo o País e com o dinheiro arrecadado pague o expurgo do FGTS aos trabalhadores. Rigotto esteve ontem em Curitiba para participar do seminário estadual A empresa de serviços também merece ser Simples, realizado pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescap).
Rigotto criticou a posição do governo na negociação com trabalhadores e empresários sobre o FGTS. O trabalhador é que está pagando a conta, afirmou. O deputado avalia que ao forçar as empresas a pagar uma parcela pelas diferenças do FGTS, o governo estará provocando, de maneira indireta, a alta dos preços dos produtos.
É uma carga a mais para as empresas, que só terão uma saída, que é repassar para o preço dos produtos o encargo, afirmou. O deputado reforçou a tese de que ao ter um aumento das despesas sobre a folha de pagamento, um empresário não pensa duas vezes ao reajustar preços.
Na Câmara dos Deputados, Germano Rigotto tem feito uma série de críticas pela lentidão e falta de vontade política do governo federal em aprovar a reforma tributária. Ele não concorda também com a recente proposta do presidente Fernando Henrique Cardoso de fazer as mudanças em partes, o que ficou conhecido como fatiamento. Na avaliação do deputado, as alterações se restringirão a tornar permanente a CPMF. O fatiamento é um equívoco, afirmou.
O governo tem resistido em tocar a reforma tributária pois sabe que perderá arrecadação de impostos. Mas em sua avaliação, mudanças nas leis que cobram impostos representará reduzir a sonegação fiscal e criar condições igualitárias de disputa entre os Estados (ao unificar alíquotas do ICMS). Hoje a carga tributária gira em torno de 33% para os brasileiros, uma das mais altas no mundo. No setor de alimentos, por exemplo, a média mundial de impostos cobrados é de 9%, enquanto no Brasil é de 34,7%.


