O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) anunciou ontem à tarde, em sessão na Assembléia Legislativa, que vai ajuizar no Ministério Público do Paraná pedido de providências contra a direção do Banestado. Munido de cópias de atas de algumas das reuniões da diretoria do banco, o deputado alega que a instituição concedeu empréstimos com taxa de juros diferenciada para beneficiar algumas empresas. ‘‘O Banestado capta recursos a 4% ao mês e cobra 2%, com evidente prejuízo’’, acusou.
‘‘Para poder financiar uma empreiteira, por exemplo, o Banestado negociou com a Copel um depósito de R$ 15 milhões com uma remuneração de 60% das taxas que o mercado paga. Os 40% restantes garantiram a taxa subsidiada pela empreiteira’’, declarou o deputado Romanelli. Segundo ele, as atas revelam ainda o que denominou de ‘‘triangulação’’ entre o Banestado e os bancos Bradesco e Pactual, na compra de créditos podres. ‘‘Na conversa da diretoria fica clara a reprodução da corrente da felicidade montada no caso dos precatórios’’, insinuou.
O pronunciamento de Romanelli em plenário causou inquietação na base governista. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), reuniu-se no início da noite com o chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, e com alguns membros da direção do Banestado, no Palácio Iguaçu, para discutir as acusações de Romanelli. ‘‘Vamos responder as ponderações de Romanelli item por item’’, prometeu. Para Rossoni, os assuntos reproduzidos nas atas ‘‘não são segredo e não devem ser interpretados maldosamente’’.

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