O governo decidiu flexibilizar as regras de aplicação dos recursos das exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos a vista que deve ser dirigida à agricultura - para estimular a comercialização da safra, principalmente de algodão, onde está o maior problema para o escoamento da produção nacional. O Conselho Monetário Nacional (CMN), deve aprovar um voto na semana que vem elevando de 5% para 10% o percentual máximo de aplicações em nota promissória rural (NPR), com exceção do algodão, que não terá limites para essa operação. ‘‘Nosso objetivo é agilizar a comercialização do algodão’’, disse um dos integrantes do grupo de coordenação de política agrícola do governo que reuniu-se na manhã de hoje e aprovou a proposta de flexibilização das regras.
Apesar do aumento de 70% na produção de algodão nesta safra, os produtores estão enfrentando dificuldades na comercialização, principalmente em função das importações da Argentina, que estão chegando com preços inferiores ao mínimo estabelecido pelo governo. Os técnicos de política agrícola argumentam que a vantagem da NPR sobre o EGF (empréstimo do governo federal) é que o instrumento não tem restrições como a que limita o empréstimo a 70% do total da produção. A NPR pode ser usada por agroindústrias para o pagamento ao produtor de algodão, que vai ao banco e desconta a nota. O governo estima em R$ 5,5 bilhões o total das exigibilidades nesta safra e, embora parte destes recursos já esteja emprestada, a expectativa é que a flexibilização das regras possa dar um impulso considerável à comercialização.

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