Agência Estado
De Buenos Aires
Representantes da indústria do papel vão assinar hoje às 14 horas acordo que põe fim à briga comercial no setor de papel entre a Argentina e o Brasil. O acordo será assinado na sede da chancelaria argentina e foi anunciado ontem à tarde ao fim da reunião dos parlamentares da Comissão Conjunta do Mercosul no Congreso Nacional da Argentina.
Os parlamentares argentinos e brasileiros, liderados por Eduardo Bauzá e Júlio Redecker, respectivamente, fecharam ata expressando a vontade dos legisladores dos dois países de manter o processo de integração em andamento e de ‘‘superar as divergências ainda existentes na região’’.
Ontem foi firmado acordo em Montevidéu entre a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) e a Câmara da Indústria de Calçados da Argentina que permitirá aos fabricantes brasileiros exportarem no mínimo 9,9 milhões de pares de sapatos ao país vizinho ao longo de 1999, 9% abaixo de 1998.
Entretanto, considerando-se o preço médio praticado de janeiro a agosto, de US$ 7,70 o par, o Brasil poderá encerrar 1999 com vendas de US$ 76,2 milhões aos argentinos, 2,4% acima do ano passado. Pelo memorando assinado na capital uruguaia depois de dois meses e meio de negociações, o Brasil poderá vender mais 1 7 milhão de pares para a Argentina este ano (680 mil em outubro, 680 mil em novembro e 340 mil em dezembro).
Somado aos 8,2 milhões de pares já embarcados nos oito
primeiros meses (num total de US$ 63,5 milhões), o volume alcançará os 9,9 milhões de pares até dezembro. Para os seis primeiros meses do ano que vem foi acertada a cota de 4,4 milhões de pares.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a UIA (União Industrial Argentina) divulgaram ontem, no Rio, documento conjunto sobre a reunião que discutiu, durante toda a tarde, as divergências comerciais no Mercosul. No documento, as entidades propõem uma agenda de trabalho ‘‘baseada em três eixos básicos: acordos empresariais, medidas de facilitação de negócios e o cumprimento da agenda pendente do Mercosul, que inclui o seu aprofundamento e uma crescente coordenação macroeconômica’’.

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