Curitiba - As vendas de máquinas agrícolas podem cair 11% este ano, em decorrência dos fatores negativos que rondam o agronegócio, como a queda no preço da soja, aumento dos insumos e valorização do câmbio. A previsão é do diretor comercial da CNH agrícola para a América Latina, Francesco Pallaro, que ontem esteve em Curitiba. Ele falou do bom desempenho das vendas em 2004, quando o mercado foi estimulado pelo crescimento de 47% nas exportações de máquinas agrícolas. A multinacional ainda está estudando novos investimentos.
Pallaro observou que essa previsão ainda pode mudar no decorrer do ano. O executivo salientou que o mercado de commodities pode mudar em função de clima e lembrou ainda que outros segmentos como produção de açúcar e álcool e pecuária estão apresentando forte crescimento por causa das exportações, fatores que podem minimizar a estimativa de queda nas vendas de máquinas agrícolas. Segundo Pallaro o início das exposições agropecuárias em fevereiro será um termômetro para as previsões.
De acordo com o executivo, as exportações foram incrementadas pela recuperação do mercado argentino e da América Latina. Além disso, as fábricas de Curitiba (PR) e de Piracicaba (SP) da CNH no Brasil estão exportando para cerca de 40 países na África, Oriente Médio e Ásia. No ano, a CNH produziu 14.491 máquinas agrícolas, um aumento de 4,68% sobre a produção do ano anterior. Desse total, 38% foi destinado ao mercado externo, sendo 25% para a América Latina e 13% para o restante do mundo. Em 2004, foram fabricadas 3.469 colheitadeiras e 11.022 tratores.
Enquanto o mercado externo cresceu, o mercado interno se manteve estável em relação às vendas feitas em 2003. Segundo Pallaro, havia uma expectativa de que as vendas aumentassem 10% em relação ao ano anterior. Mas elas foram frustradas no último trimestre do ano em função da reversão do quadro do agronegócio brasileiro, como queda no preço da soja para cerca de US$ 10 a saca e aumento no custo de produção. A CNH contabilizou a venda de 2.400 colheitadeiras e 6.554 tratores no mercado interno, abaixo do desempenho de 2003, quando foram vendidas 2.592 colheitadeiras e 7.638 tratores.
Para 2005, Pallaro acredita que as exportações também devem se acomodar. Ele disse que as vendas para a Argentina podem não repetir o desempenho do ano passado quando foram vendidos 5.300 tratores de 2.500 colheitadeiras. Ele prevê que este ano devem ser vendidas cerca de 1.500 colheitadeiras e 4.000 tratores.
No mercado interno, Pallaro atribuiu o aquecimento ao Moderfrota que financiou a compra de máquinas a juros fixos. Para o diretor da CNH, essa linha de crédito é fundamental para a renovação do parque de máquinas ''que ainda precisa de mais uns cinco anos para atingir 70% de renovação'', calculou.

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