Com lágrimas nos olhos e a voz meio embargada, o produtor rural Laércio Querubim, 56 anos, de Santa Mariana, contou que foi obrigado a vender parte de sua propriedade para pagar dívidas e sustentar a família durante esse período de crise. ‘‘Fechei o negócio ontem (anteontem) e foi muito difícil ter que me desfazer de um bem que eu demorei 20 anos para adquirir’’, lastimou.
  Dos oito alqueires onde ele plantava milho, trigo e soja, Querubim vendeu quatro alqueires - por R$ 22 mil cada um - para o cunhado que está trabalhando no Japão. ‘‘Ele era o único que tinha o dinheiro. Cheguei a oferecer para os amigos da região, mas todo mundo está endividado’’, comentou o agricultor. Para ele, falar de futuro e de sonhos, no momento, é complicado. ‘‘Depois disso, até o sonho acaba. Eu espero que o governo enxergue os problemas dos agricultores e tome uma providência’’, disse ele.
  A situação financeira de Querubim, infelizmente, não é isolada. Outras dezenas de agricultores da região de Santa Mariana estão tentando vender terras e equipamentos para liquidar dívidas e limpar o nome no Serasa. ‘‘A gente está tentando vender alguns equipamentos mas não está conseguindo, pois ninguém na região tem dinheiro’’, revelou os irmãos Paulo e Nikolau Vengros, produtores na região há 24 anos. Se a crise perdurar, eles afirmaram que terão que demitir os funcionários que trabalham com eles há anos. ‘‘São mais que funcionários, são amigos. Mas talvez a gente tenha que demiti-los’’, disseram. (E.Z.)

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