Depois de dois meses, BC volta a vender dólar
Agência Estado
De São Paulo
O Banco Central colocou de lado ontem o seu discurso sobre o caminho natural da alta do dólar em um mercado de câmbio flutuante e interveio nos negócios realizados nas mesas de operações. O BC vendeu dólares ontem à tarde para conter a escalada dos preços da moeda norte-americana. Desde 18 de agosto passado que o BC não tomava a decisão de intervir diretamente no mercado de câmbio. O dólar fechou em baixa de 0,35%, cotado a R$ 1,9890.
A ação do BC no mercado de câmbio, no final da tarde, acabou sendo consequência de um movimento provocado indiretamente, também no mercado de câmbio, pela ação de outra instituição governamental, o BNDES. Ao oferecer ajuda financeira aos investidores estrangeiros para que estes participassem do leilão de privatização da Cesp Tietê (leia ao lado), o BNDES abriu espaço para que um forte sentimento de frustração detonasse a alta do dólar, cuja cotação chegou a R$ 2,0030 após a divulgação do resultado do leilão.
O fato é que o mercado de câmbio iniciou o dia com expectativa favorável de que a Cesp Tietê seria vendida a um grupo estrangeiro que, por seu turno, iria injetar considerável quantia de dólares no País. Mas ao conhecer o resultado do leilão, o mercado percebeu que cerca de US$ 183 milhões da compra seriam financiados pelo BNDES. E mais, que a parcela a ser paga em dólares (algo como US$ 303 milhões) não entraria no País de imediato.
Além disso, a AES (empresa vencedora do leilão) admitiu que só resolvera participar do leilão por causa do crédito disponibilizado pelo BNDES. A conclusão do mercado foi simples: o ingresso de dólares será bem menor do que o esperado e as condições em que a Cesp Tietê foi vendida evidenciaram a fragilidade do processo de privatização. A sensação foi de que o negócio foi ruim, disse um operador. Resultado: quem tinha montado posições vendidas resolveu mudar de lado, comprando dólares.
Se não frustrou totalmente o mercado, o leilão da Cesp Tietê tampouco motivou comemoração. O ágio de 29,97% foi considerado modesto por alguns operadores. O Ibovespa oscilou pouco nesta quarta-feira. Chegou a cair 0,16% e a subir 0,61%, para fechar no meio termo, com valorização de 0,53%. Segundo operadores, falta fluxo. Somente investidores brasileiros estariam operando, o que inviabilizaria uma temporada mais excitante para as Bolsas.





