Menos de 36 horas depois de ter baixado os preços da gasolina e do etanol, o Posto Santana, localizado na esquina das ruas Professor João Cândido com Alagoas, no Centro de Londrina, foi alvo de 10 tiros na madrugada do último sábado. Para o proprietário, que comprou o estabelecimento dias antes, trata-se de um atentado promovido por algum concorrente para intimidá-lo a elevar novamente os valores.
O comerciante, que pediu para não ser identificado, conta que baixou o valor da gasolina de R$ 2,63 para R$ 2,56 e o do etanol, de R$ 1,83 para R$ 1,76. Ele não foi o único. Reportagem publicada pela FOLHA no último sábado mostra que vários postos de ''bandeira branca'' fizeram o mesmo. Em média, o valor dos combustíveis nesses estabelecimentos caiu 10%.
No momento em que o posto foi alvejado, não havia ninguém trabalhando. Foram atingidos bombas de combustível, vidraças, portas e até um freezer. ''Sabemos quem são as pessoas que fazem isso, mas não podemos provar'', disse o empresário.
Segundo ele, seu pai, que possui outro posto na Avenida Tiradentes, já foi vítima do mesmo tipo de ocorrência ''três ou quatro'' vezes. ''Sabemos que é uma ameaça, mas vamos manter os preços baixos'', disse. De acordo com o empresário, a Polícia Civil foi ao local no próprio sábado e voltou ontem para analisar a situação e coletar evidências. Depois que os policiais deixaram o estabelecimento, ele encontrou uma outra cápsula no seu escritório. ''Os funcionários estão assustados'', afirmou.
O investigador-chefe do Departamento de Roubos e Furtos da 10 Subdivisão Policial, Marcio Ilkiu, disse ontem que não teria como passar informações sobre o caso uma vez que o delegado de plantão do final de semana estava de folga.
O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, afirmou que, caso a Polícia não tenha instaurado inquérito, irá solicitá-lo hoje. ''São fatos muitos graves que vão contra o livre comércio'', considerou.
Já o presidente do sindicato dos postos do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregoneze, minimizou a possibilidade de o atentado estar relacionado a possíveis concorrentes do Santana. ''Essa história é contada em Londrina há 20 anos. Toda vez que um posto recebe tiros dizem que são os donos de outros postos que atiraram. Este tipo de informação é estúpida. A Polícia que investigue'', declarou.
Preços
O coordenador do Procon em Londrina, Carlos Neves, disse que os postos da cidade sempre elevam os preços dos combustíveis assim que as distribuidoras promovem aumentos. Da mesma forma, segundo ele, é normal esperar que, havendo uma redução de valores, essa diferença seja repassada em benefício ao consumidor.
No entanto, segundo Neves, quando um posto isoladamente estabelece preços bem abaixo da média dos demais, é preciso ficar atento. ''Normalmente quando isso ocorre tem alguma irregularidade, como compra de produto sem nota ou mesmo alteração na bomba'', alertou.

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