Depois de 12 anos, mais de 53,4 mil acionistas minoritários - dos quais 38,5 mil paranaenses - receberão indenizações por perdas decorrentes da intervenção e venda do Banco Bamerindus. A estimativa é que os recursos, estimados entre R$ 250 milhões e R$ 280 milhões para divisão entre os acionistas, sejam liberados em no máximo quatro meses. O pagamento ocorrerá devido a um acordo firmado nesta semana entre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC, entidade privada ligada às instituições bancárias) e o Banco Central (BC).
Até então o processo de liquidação estava sendo gerido pelo BC, o que atrasou o pagamento dos acionistas. Segundo o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) o acordo firmado entre as instituições ainda prevê que o FGC elabore um levantamento dos ativos e passivos do banco e a extinção de todas as ações judiciais em trâmite. ''O problema era que o dinheiro investido pelos minoritários, de repente, 'virou pó' (depois da liquidação) porque em primeiro vem os créditos trabalhistas, em seguida os créditos tributários e lá no fim da fila estavam os minoritários. Agora vai sobrar um dinheiro para os minoritários'', explica.
Segundo o presidente da Associação dos Acionistas Minoritários do Banco Bamerindus, Euclides Nascimento Ribas, apenas cerca de 1,5 mil acionistas impetraram ação. Por isso, ele orienta os demais interessados a procurar a entidade para inclusão no processo que já está em trâmite. ''Se forem impetradas novas ações judiciais o trâmite pode demorar de novo mais de dez anos'', alerta. Ribas informa que os recursos para pagamento dos minoritários virá de créditos fiscais junto à União de cerca de R$ 6 bilhões, ainda pendentes em favor do Bamerindus.
Ele explica que o primeiro a receber a dívida pendente será o BC, as companhias estatais, o FGC e, em seguida, os minoritários. ''Parte do débito já foi quitado a partir da venda do patrimônio do banco'', diz. Na sua avaliação, o acordo beneficiará os minoritários. ''Ninguém vai ficar com prejuízo apesar de que não receberemos tudo o que receberíamos se o banco não tivesse sido liquidado'', afirma. Hoje aposentado, Ribas comenta que comprou as ações quando ainda trabalhava e que sua expectativa era obter um bom retorno durante sua aposentadoria.
''O meu objetivo era ter um acréscimo à aposentadoria para viver com conforto, o que não aconteceu. Meu dinheiro virou lixo, mas agora vamos receber alguma coisa'', observa o presidente da associação. Para o senador Flávio Arns (PT) o pagamento da indenização proporcionará a todos ''uma sensação de que finalmente a justiça prevaleceu''. Já o deputado Hauly acrescenta que o Paraná perdeu muito com a liquidação do banco. ''Foi uma perda irreparável para o Estado, que ficou menor (depois da liquidação e intervenção)'', salienta.
Serviço: Acionistas minoritários que ainda não impetraram ação judicial podem entrar em contato com a Associação dos Acionistas Minoritários do Banco Bamerindus pelo telefone (41) 3335-5540.

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