Depois da crítica, FHC ameaça não receber secretário dos EUA
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segunda-feira, 29 de julho de 2002
Agência Folha 
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem explicações da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinack, sobre as declarações do secretário do Tesouro americano, Paul O'Neill, e ameaçou não recebê-lo em visita ao país na semana que vem.
O'Neill disse que não poderia dar ajuda financeira a países da América Latina entre eles Brasil, Argentina e Uruguai, pois o dinheiro ''vai parar na Suíça''. Segundo ele, esses países ''precisam pôr em prática políticas [econômicas] que assegurem que o dinheiro que recebem seja bem aproveitado''.
A convocação da embaixadora foi anunciada pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio de Mello, e em seguida confirmada pela assessoria de FHC. O presidente da República e Marco Aurélio conversaram sobre o assunto durante almoço em homenagem ao presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão.
''O presidente deu instruções no sentido de a embaixadora ser convocada para uma retratação. Se não houver [a retratação], não teremos clima para recebê-lo. Ele mesmo [FHC] disse isso. Estávamos em uma roda. Eu toquei no assunto, porque em jogo está até mesmo a soberania do Brasil.'' Para ele, as afirmações de O'Neill ''foram feitas de forma leviana''.
O ministro Pedro Malan (Fazenda) falou hoje por telefone com O'Neill. Sua assessoria não informou o teor da conversa. O governo esperava uma retratação.
Pela manhã, durante entrevista ao programa ''Bom Dia Brasil'', da Rede Globo, Malan lamentou que o Brasil tenha sido colocado na mesma lista de países que enfrentam situação ''extremamente difícil''. ''É como eu digo, quem compara Brasil à Nigéria é porque não conhece nem a Nigéria, nem o Brasil'', afirmou.
Para ele, O''Neill teria dito que o apoio do governo norte-americano depende de políticas confiáveis. ''E o Brasil tem uma política confiável. Isso depende do uso apropriado desses recursos. O Brasil tem uma seriedade no uso desses recursos, que não está em questão por ninguém'', afirmou o ministro.
Questionado se o comentário do secretário norte-americano não seria uma ingerência externa nos assuntos do país, Malan respondeu que não.


