São Paulo - O mercado financeiro começa a semana ainda preocupado com os possíveis desdobramentos das denúncias estampadas pela revista ''IstoÉ'' contra o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e o diretor de Política Monetária, Luiz Augusto Candiota. A notícia de que ambos estariam sob investigação por sonegação fiscal e evasão de divisas provocou desconforto e certa instabilidade nos mercados na sexta-feira. A Bolsa de São Paulo recuou 0,64% e fechou a semana com desvalorização de 3,81%; o dólar avançou 0,49% e acumulou alta de 1,83% no período, apesar da divulgação de vários indicadores internos positivos sobre a economia e o emprego.
O comportamento desses mercados refletiu também uma mudança no tom otimista dos investidores depois que o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Alan Greenspan, na quarta-feira, sugeriu que o Fed poderia ser mais agressivo na política de elevação dos juros nos EUA. A economista da Modal Asset Management (MAM), Carla Bernardes, comenta que o mercado doméstico permanece bastante sensível a eventos e dados econômicos americanos.
Esta semana, diz ela, não deverá ser diferente, mas a atenção do mercado financeiro estará dividida entre os indicadores americanos e domésticos que serão divulgados nos próximos dias. O dado de maior destaque por aqui será a inflação de julho pelo IGP-M, que será conhecida na sexta-feira. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada na quinta, não deve alimentar forte expectativa, ''porque a decisão de manter o juro em 16% ao ano não surpreendeu ninguém''. Ademais, o mercado está convencido de que não há espaço para a redução do juro básico enquanto persistir a insegurança com o cenário externo e não houver uma tendência mais clara de inflação em queda.
No quadro internacional, a economista da MAM considera importantes os dados sobre a confiança do consumidor americano em julho, que serão conhecidos na terça-feira; o estoque de petróleo e derivados, na quarta-feira, quando será divulgado também o Livro Bege.
Trata-se de um relatório resumido sobre a evolução da economia americana, com dados, entre outros, referentes ao emprego e à inflação nos EUA. Para Carla, o documento deve mostrar que houve certa acomodação do crescimento da economia americana em nível elevado e a inflação segue de acordo com as expectativas. Outro dado que deve atrair a atenção é a primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre. A expectativa do mercado é que o indicador, que será anunciado na sexta-feira, fique em 3,7%.

mockup