A Comissão Pastoral da Terra (CPT) está exigindo a apuração de denúncias de que a entrada ilegal de sementes de soja transgênica no Paraná estaria sendo favorecida por funcionários da delegacia regional do Ministério da Agricultura, no Paraná. A denúncia foi encaminhada ontem ao Ministério Público Federal e acusa os funcionários Antônio Locatelli, chefe do Serviço de Sanidade Vegetal, e Henrique Prado Filho, chefe do escritório regional de Londrina, de facilitarem a entrada ilegal de material transgênico no Estado.
A denúncia chegou à CPT de forma anônima e revela a existência de uma fita cassete em que está gravado um diálogo entre Locatelli e Prado Filho. Nesse diálogo, Locatelli combina com o colega uma forma de facilitar a entrada de dois quilos de semente de soja transgênica, proveniente da Argentina, na bagagem de um veículo. A idéia que se tem do diálogo é que a semente seria destinada ao Iapar.
De posse desse material, o secretário executivo da CPT, Jelson Oliveira, quer que a denúncia seja apurada. Ele argumenta que não se pode aceitar que o coordenador das investigações de contrabando de produtos transgênicos seja o próprio Antonio Locatelli. Segundo Jelson, a CPT está preocupada com a proliferação de material transgênico no Estado que representa a agricultura tecnificada e que faz dos pequenos agricultores reféns dessa tecnologia.
Antonio Locatelli se defende da acusação, dizendo que não é a primeira vez que se faz esse tipo de denúncia. Segundo ele, quando ficou sabendo da existência dessa fita tomou a iniciativa de pedir que o Ministério Público e a Polícia Federal investigassem as denúncias nela contidas. Ele atribui a insistência das denúncias a ‘‘forças da corrupção que foram banidas da delegacia do Ministério no final do ano passado e que agora tentam ressurgir como paladinos da moralidade’’. Locatelli desafiou o autor da denúncia a se identificar para que todos saibam ‘‘quem está por trás disso tudo’’.
O Ministério Público Federal confirmou que de fato já foi encaminhada uma denúncia nos mesmos termos daquela protocolada ontem, há quase um ano. Segundo a assessoria, a primeira denúncia já foi investigada e está em fase de conclusão, sendo que não há indícios que o Ministério Público vá oferecer denúncia à Justiça. Nesse caso, o caminho natural é o arquivamento do processo, informou o assessor. O Ministério Público também confirma que Locatelli foi ouvido pela Polícia Federal, que também não chegou a conclusão de envolvimento do funcionário com contrabando de material transgênico. Mas isso não significa que o Ministério Público não vá apurar novamente a denúncia formalizada pela CPT.