A disputa pelo comando dos leilões de órgãos públicos, que têm se apresentado muito rentáveis, gerou uma série de denúncias de irregularidades no processo de escala. O presidente do Sindicato do Leiloeiros do Paraná, Sérgio Lemos Torres, acusa a Junta Comercial de manipular a escala para favorecer um grupo de leiloeiros vinculados a funcionários da casa. O presidente da Junta Comercial, João Luiz Biscaia, nega as acusações e argumenta que as denúncias tiveram origem quando a Junta decidiu abrir a participação para maior número de leiloeiros, ‘acabando com a reserva de mercado que existia no setor’’.
O caso foi parar na Justiça, através de uma ação cautelar impetrada na 4ª Vara da Fazenda Pública, pelo leiloeiro, Marcelo Henrique Ribeiro dos Reis, que se sentiu prejudicado em não realizar o leilão de imóveis do Banestado, previsto para 4 de agosto, cobiçado por ser um dos mais rentáveis. Em seu lugar foi beneficiado o leiloeiro, Wellington Miléo, que é filho de Zeni Miléo, chefe de Fiscalização de Armazéns e Leilões da Junta Comercial, que comanda o processo no órgão público.
Torres lembra que Miléo obteve o credenciamento de leiloeiro na Junta Comercial após o mês de março de 2000, quando tradicionalmente o órgão divulga a relação de leilões das sociedades de economia mistas e das empresas de governo, que será feita durante o ano e já indica a relação de leiloeiros que deverão estar na escala. ‘‘Portanto, Miléo deveria provavelmente seria escalado em 2001’’.
Para se ter uma idéia do tamanho da disputa, um leilão como esse do Banestado gerou uma comissão de R$ 105 mil ao leiloeiro, equivalente à sua comissão de 5% sobre as vendas. O leilão arrecadou no total, R$ 2,1 milhões. ‘‘Leilões da Copel, Sanepar, Banestado,que estão leiloando alguns ativos antes da privatização, vêm sendo alvo de muita cobiça’’, afirmou Biscaia.
Além disso, o mesmo Miléo já havia recusado o leilão do Detran, previsto para 4 de julho e não comunicou o fato oficialmente à Junta Comercial, por considerá-lo ‘‘desinteressante’’. Estranhamente, ao mesmo tempo que recusou a fazer o leilão do Detran, Miléo já anunciava que iria fazer o leilão do Banestado, sem que a Junta anunciasse que o leilão iria ser realizado’’.
Torres diz que a Junta não pode controlar a escala, mas apenas informa qual é o leiloeiro da vez e a empresa convida o indicado para fazer o leilão’’. O presidente da Junta, João Luiz Biscaia disse que o caso está sendo apurado por uma Comissão de Sindicância da Secretaria da Justiça. Ele afirma que afastou a funcionária Zeni Miléo, do cargo, assim que foi informado das denúncias. O número de leiloeiros avançou de 21, em 98, para 78.

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