Dentro das expectativas, Selic cai 2%
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quarta-feira, 17 de setembro de 2003
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu ontem a taxa Selic (os juros básicos da economia do País) em dois pontos percentuais. Com a medida, os juros anuais do Brasil caem de 22% para 20% ao ano. A decisão manteve-se dentro das expectativas do mercado financeiro, que esperava redução semelhante à decidida na reunião do mês passado, quando o Copom cortou a Selic em 2,5%. Um corte mais drástico já havia sido descartado por economistas, pois a redução promovida em agosto já tinha servido como alerta para os bancos e instituições financeiras para que todos reduzissem seus juros na outra ponta da cadeia, ou seja, para o consumidor.
Ao mesmo tempo, um corte mais profundo da Selic poderia ser interpretado pelo mercado como o fim do afrouxamento da política econômica do Governo Lula, o que poderia trazer reflexos negativos para o País.
Ao se referir à decisão pelo corte de dois pontos na Selic, o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, disse que acredita que o governo esteja no caminho certo para o reaquecimento da economia doméstica. Junto com as outras medidas anunciadas hoje (ontem), como o financiamento da linha branca de eletrodomésticos e a liberação de crédito para trabalhadores de empresas privadas, o corte da Selic deve representar retomada do crescimento.
Domakoski se refere aos financiamentos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para a compra de eletrodomésticos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (leia matéria na página 2), e o crédito com consignação em folha de pagamento liberado pelo governo para os trabalhadores. São medidas que devem reduzir a inadimplência no comércio. Como conseqüência, os juros bancários também devem cair, completou. O presidente da ACP, no entanto, cobrou a criação de ferramentas que repassem a queda dos juros de forma mais efetiva para o consumidor. Essas reduções deveriam ser mais sentidas no comércio, com a queda dos juros dos bancos e dos empréstimos.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Siduscon-Norte), José Roberto Hoffmann, interpretou a decisão do BC como um gesto de boa vontade. Todas as reduções são sempre bem vindas, mas é claro que ainda estamos longe da realidade mundial, com juros médios de 12% ao ano. Hoffmann também cobrou a redução dos juros para o consumidor, alegando que até agora não viu quedas na outra ponta. Sobre a falta de incentivos à construção civil, como já ocorreu com a indústria automotiva com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e com segmento de eletrodomésticos, Hoffmann disse que o sindicato já trabalha junto ao governo para a redução da tributação. Pelo menos para projetos de cunho social, como a construção de casas populares.
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), por meio de seu presidente, David Dequêch Neto, afirmou não ter sido surpreendida com o corte de dois pontos. Ficou dentro da proposta acenada pelo governo no mês passado. Estamos descendo de degrau em degrau. Dequêch também espera por outras medidas para a retomada da demanda doméstica. A redução da taxa Selic feita isoladamente traz conseqüências muito lentas, disse.


