Segundo o dentista Mario Augusto Genta Cordioli, especialista em periodontia, professor da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), as necessidades de higiene bucal devem ser avaliadas individualmente por um profissional de odontologia. Como regra geral, porém, são recomendados a escova, o creme e o fio dental.
''A escova remove o biofilme dental (placa bacteriana) das faces dos dentes e o fio faz a remoção do biofilme das áreas abaixo do contato entre os dentes. Por fim, o creme dental serve como um veículo para o flúor, e também tem efeito detergente'', explica.
Cordioli afirma que a escova deve ter a cabeça pequena, com as cerdas planas e macias, com pontas arredondadas. O ideal é que seja trocada logo que se perceba alteração na forma das cerdas, normalmente, em um período de três meses. ''Se as cerdas deformam muito antes disso, pode significar uso incorreto ou muito vigoroso, o que pode causar traumas na gengiva'', destaca.
Quanto ao fio dental, o dentista informa que o produto tem função mecânica, portanto não deve desfiar ou romper facilmente para que a limpeza seja correta. ''Se o fio desfia em um local específico pode significar um problema naquele ponto, como restauração ou prótese defeituosa, tártaro'', observa.
Os fios saborizados (menta, canela, entre outros) não influenciam a higiene, segundo Cordioli, mas podem tornar o processo mais agradável. Quanto à eficácia, fio e fita dental são semelhantes. ''A fita pode ser difícil de usar em pessoas com contatos dentais muito 'apertados''', diz.
Em relação ao creme dental ou gel, os produtos para adulto devem conter em torno de 1.100 a 1.500 ppm (partes por milhão) de flúor. Esta informação é encontrada no verso da embalagem pelo consumidor. ''Há cremes e géis com diferentes tipos e quantidades de abrasivos com a função de remover manchas. Para não ter manchas, porém, o melhor ainda é não fumar'', ressalta. O dentista informa que os cremes dentais infantis não devem conter flúor ou apresentarem uma concentração menor, de cerca de 500 ppm.
Segundo dentista, o uso indiscriminado de enxaguantes bucais deve ser evitado. Ele diz que alguns são indicados, sempre pelo profissional, para a reposição de flúor quando necessário. ''Outros são prescritos para uso após cirurgias bucais, enquanto não se pode escovar a área operada; ou para auxiliar na cicatrização de alguns processos patológicos orais, como aftas. Deve-se seguir a orientação do profissional, pois alguns enxaguatórios têm efeitos colaterais'', pondera.
Cordioli alerta que a higiene oral inadequada acarreta o acúmulo de biofilme que causa a cárie e as doenças gengival e periodontal, perda óssea e perda dentária. ''Estas doenças estão acompanhadas por focos de infecção que parecem estar associados a problemas de saúde geral como partos pré-maturos e doenças cardiovasculares'', reforça. (G.M.)

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