Dengue e coronavírus elevam vendas nas farmácias

Em uma rede de drogarias, procura por repelentes aumentou 400% em 2020 ante 2019; interesse por álcool gel e máscaras cirúrgicas começa a crescer, mas há o risco do desabastecimento

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

O aumento crescente do número de londrinenses diagnosticados com dengue e a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil movimentam as farmácias neste início de ano. Em apenas uma rede de drogarias, a venda de repelentes industrializados cresceu 400% de janeiro a fevereiro deste ano na comparação com o mesmo período de 2019. O interesse por máscaras cirúrgicas e álcool gel ainda é tímido, mas se a procura aumentar, muitos clientes vão ficar sem os produtos porque os estoques estão baixos e, nas distribuidoras, os itens começam a faltar.


Dengue e coronavírus elevam vendas nas farmácias
Roberto Custódio
 


Gerente comercial da rede de farmácias Vale Verde, Cilmar Rodrigues Nogueira Junior aponta alta de 100% nas vendas de repelentes industrializados de janeiro para fevereiro deste ano. Desde o início de 2020, o crescimento foi bem maior, de 400%. A procura grande acabou com os estoques das lojas e a solução apresentada aos consumidores durante a falta do produto foi a versão manipulada, cujas vendas cresceram 1.350% em relação a 2019.



“De cada dez pessoas que entram nas nossas farmácias, entre seis e sete estão atrás do repelente e eu acredito que a dengue ainda não tenha chegado ao pico, daqui a alguns meses deve crescer”, afirmou o gerente comercial. O repelente industrializado custa, em média, R$ 30, e o manipulado, de 100 ml sai por R$ 29,90.

A rede também disponibiliza o teste rápido de dengue. O exame começou a ser oferecido aos clientes em 2019, mas foi neste ano que as vendas deslancharam. Desde janeiro, o crescimento computado foi de 3.000% no comparativo com igual período do ano passado. Entre janeiro e fevereiro, a alta foi de mais de 350%. Cada teste custa R$ 39,90.

Em uma das lojas da rede Droga Raia na cidade, todos os repelentes têm boa saída desde novembro, mas foi a partir de fevereiro que as vendas praticamente quadruplicaram. “Os repelentes com Icaridina (o princípio ativo mais indicado pela Organização Mundial da Saúde) são os primeiros a sair”, comentou o gerente farmacêutico Diego Alves de Souza. Na unidade gerenciada por ele, chegam cinco a dez clientes por dia diagnosticados com dengue. “A todo momento vêm pessoas com dengue aqui.”

“Os repelentes com Icaridina são os mais procurados aqui na loja, mas se não tiver, os clientes compram aqueles à base de citronela mesmo”, disse o balconista de uma unidade da rede Drogamais, Luan Henrique dos Santos Pereira, que tem notado um aumento da preocupação com a dengue.

A dona de casa Raquel Rodrigues de Oliveira conta que na sua vizinhança não há casos de dengue, mas a preocupação com a doença é uma constante e, para evitar a contaminação, o uso de repelente diariamente é fundamental. “Uso repelente todos os dias. Não saio de casa sem. Não fiquei ainda sem o produto, mas é preocupante saber que está vendendo muito.”

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. | Roberto Custódio
 


Prevenção contra o coronavírus começa a crescer

O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi confirmado na última quarta-feira (26), na capital paulista, e, no mesmo dia, já teve consumidor indo às farmácias de Londrina para comprar álcool gel. Segundo o gerente comercial da rede Vale Verde, Cilmar Rodrigues Nogueira Junior, o aumento das vendas de álcool gel industrializado de fevereiro do ano passado para fevereiro de 2020 foi de 23%. “A média mensal cresceu 60% de um ano para outro e esse volume deve aumentar ainda mais nos próximos dias”, disse. Mas a maior alta foi observada nas vendas de álcool gel manipulado, que subiram 1.000% entre janeiro e fevereiro deste ano ante igual período de 2019.

Embora o uso das máscaras cirúrgicas seja indicado apenas para quem já foi infectado pelo coronavírus, os consumidores têm buscado pelo item nas farmácias como forma de prevenção, mas muitos voltam para casa de mãos abanando. O produto está escasso na cidade. “Só temos uma caixa de máscaras. Quando terminar, não tem mais”, disse o balconista de uma loja da Drogamais, Luan Henrique dos Santos Pereira. Cada máscara sai por R$ 0,50.



Na rede Vale Verde, algumas lojas já estão sem o produto, o setor de compras está com dificuldade para repor os estoques e já há distribuidores se aproveitando da situação para faturar mais. A alta chega a 1.150%. “Comprávamos uma caixa com 50 máscaras por R$ 8. Agora, o distribuidor pediu R$ 100 pela mesma caixa. Não compramos”, disse Nogueira Junior. 

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