Rio - O atual vilão de destaque nas metas inflacionárias no Brasil hoje, dizem os analistas, são as commodities, matérias-primas ou produtos pouco elaborados cujo preço é determinado, ou muito influenciado, pelo mercado internacional (e não pelos juros internos). Com a economia global aquecida, o preço das commodities tem subido, beneficiando, aliás as exportações brasileiras.
Em janeiro e fevereiro, puxado pelo efeito das commodities, mensalidades escolares e alimentos, o IPCA, o índice oficial da meta de inflação, acumulou 1,37%, ou um quarto da meta de 5,5% para o ano todo. ''Como o BC não pode influenciar o preço do aço, ele vai gerar uma recessão maior para que os outros preços caiam e a meta seja mantida'', ataca Mendonça.
Defensores - Os defensores do regime de metas, porém, garantem que ele tem bastante flexibilidade para contornar problemas criados pelos componentes não-sensíveis a juros do IPCA, ou pelo uso do ano-calendário. ''O sistema é muito flexível e isso pode ser usado quando for necessário'', diz Ilan Goldfajn, ex-diretor do BC, que atuou com Armínio Fraga, quando este era presidente. O problema, acrescenta Goldfajn, é que é preciso saber usar a flexibilidade. ''Se usar mal, o BC perde a credibilidade; se souber usar, é muito útil para o País''.(AE)

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