A população de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana) convive com a apreensão e a revolta desde que o governo do Paraná anunciou - há duas semanas - que o município era um dos quatro do Estado (os outros são Amaporã, Maringá e Loanda) que tinha animais com suspeita de febre aftosa. A apreensão surgiu logo no início. Agora, a revolta domina a cidade de uma maneira geral.
O motivo é a ''demora'' na divulgação dos resultados que confirmariam ou não a doença na Fazenda Santa Izabel, localizada na divisa de Grandes Rios e Rosário do Ivaí. Doze animais da propriedade foram colocados em quarentena com sintomas suspeitos da doença. Enquanto o resultado não é divulgado, os prejuízos são incalculáveis e, por enquanto, estão sendo divididos entre os pequenos produtores de leite e os comerciantes. A incerteza afeta também a administração municipal. A prefeita Eliane Luiz Ricieri (PMDB), adiou para a semana que vem a decisão de declarar estado de emergência no município. Ela espera que até lá os resultados sejam divulgados.
''No geral, o movimento caiu 30%, mas as vendas de carne diminuíram 80%'', estimou Antônio Alves Marçal, proprietário do Supermercado Lisboa. Além da queda nas vendas, ainda há um outro problema: o fiado. ''Temos muitas contas pendentes e alguns estão pagando até parcelado, não conseguem pagar tudo. A cada dia somos mais prejudicados'', disse. Ele mesmo se disse apreensivo porque o resultado dos exames ainda não foi divulgado.
Na Panificadora Afonsos, o movimento caiu até 60% ''de um modo geral''. ''As pessoas estão com medo de gastar. O resultado deste exame está muito demorado, estamos nessa angústia e o prejuízo só vai aumentando'', afirmou a proprietária Edna Martinelli Moreira. Segundo ela, muitos dos seus clientes aproveitam a situação do município para deixar de pagar suas contas. ''Se a febre aftosa for confirmada a situação ficará crítica. Dependemos da carne e do leite'', comentou.
Na Casa de Carnes Santo Antônio o movimento já foi normalizado. ''Quando a notícia saiu, deu aquele impacto, mas agora ninguém acredita mais que tenha aftosa aqui'', diz a sócia-proprietária Karine Morello. O seu tio, também sócio-proprietário Vanderlei Morello completou: ''Isso já passou dos limites, já perdeu a graça. Os resultados estão demorando demais e essa dúvida está prejudicando o município''.
Na verdade, os moradores desconfiam que os resultados dos exames ainda não foram divulgados porque o governo do Estado estaria usando a dúvida para conseguir recursos do governo federal. O proprietário da Millenium Presentes, Mário Feliciano Batista, diz que as suas vendas caíram cerca de 20%. ''O movimento já não vinha bem, o povo depende do leite e do café. Ainda que agora não está tão ruim porque saiu o pagamento dos aposentados e da Prefeitura, mas depois do dia 15 será terrível'', disse.

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