Demora no processo de licitação causou falta da tríplice no País
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sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) do Ministério da Saúde, Edmundo Juarez, disse ontem que estão sendo distribuídas no País 3,8 milhões de doses da vacina tríplice (difteria, coqueluche e tétano). A falta do produto afeta 20 estados, que ainda não receberam 2,2 milhões de doses. Juarez salientou que o problema se deu por demora no processo de licitação, e negou que a inexistência de recursos orçamentários na Fundação possa colocar em risco a aquisição de outras vacinas.
Foram enviadas até agora vacinas tríplice para os estados de São Paulo (410 mil), Piauí (20 mil), Pará (20 mil), Mato Grosso do Sul (30 mil), Minas Gerais (100 mil), Distrito Federal (15 mil) e Bahia (100 mil). Ao todo, a Fundação receberá das fornecedoras Swiss Serum e Indian Institute 11 milhões de doses da vacina tríplice. Alguns estados, segundo ele, ainda possuem estoques antigos. O processo de compra da tríplice se arrasta desde abril, quando a vencedora da licitação, a Xangai Institute, deixou de enviar o número suficiente de amostras para teste de qualidade, o que acabou levando a convocação das duas empresas seguintes. Tivemos que cancelar e partir para outras fornecedoras, o que atrasou o processo, explicou Juarez.
Ao assumir o Ministério da Saúde interinamente, José Carlos Seixas anunciou que o pagamento dos serviços prestados pela rede de hospitais do Sistema Único de Saúde se daria com a transferência para este fim de créditos suplementares originalmente destinados à compra de vacinas. Mas Juarez conta com a promessa de Seixas de que até dezembro a Fundação terá crédito suplementar e recursos financeiros suficientes para dar andamento às licitações. A Fundação deve cerca de R$ 240 milhões a fornecedores de vacinas, medicamentos e inseticidas.
Os estoques atuais na Funasa das vacinas BCG (2,8 milhões), sarampo (7,2 milhões), toxóide tetânica (13,2 milhões) e soro antitetânico (46 mil) estão equilibrados, de acordo com Edmundo Juarez. Ele admitiu, contudo, que é sempre bom fazer compras antecipadas. É o caso, por exemplo, das campanhas nacionais. A Fundação ainda não tem recursos para a aquisição das 60 milhões de doses da vacina contra poliomielite para as duas campanhas do próximo ano. Mas em dois anos, nunca houve falta de vacinas por problemas de dinheiro, salientou.
Juarez disse ontem que se o número de casos de crianças que apresentaram reações às vacinas tríplice aplicadas em São Paulo estiver acima do normal, pedirá explicações ao fornecedor, com pedido de substituição. Inicialmente Juarez acredita que a vacina, segundo ele aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), poderia continuar a ser aplicada.


