Demora deixa produtores impacientes
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segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Mais de 200 agricultores se reuniram na semana passada, em Sertanópolis, a 40 km de Londrina, para protestar contra o atraso no pagamento da indenização do seguro, após as geadas de julho. Os agricultores protestaram ainda contra o atraso na vistoria das áreas atingidas por parte da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (Cosesp).
A Cosesp culpa o Ministério da Fazenda, que não liberou o depósito no valor de R$ 108 milhões, quantia que o governo deve ao Fundo de Estabilização do Seguro Rural. A capitalização do Fundo depende de Medida Provisória ou projeto de resolução, para incluir essa quantia no orçamento federal, que não previu o pagamento de indenizações.
Conforme o assessor Fernando Granato, a empresa optou pelo sistema de seguro agrícola, tendo o Fundo de Estabilização do Seguro Rural como órgão ressegurador. O Fundo é administrado pela Susep Superintendência de Seguros Privados e é constituído pelo depósito de 50% do lucro das empresas seguradoras, mais os recursos oriundos da taxa de corretagem das operações do seguro rural.
De acordo com Mário Zanetta, presidente do Sindicato Rural de Sertanópolis, os produtores querem plantar a safra de verão, mas estão impedidos por falta de vistorias. Enquanto o técnico do seguro não liberar a área, não se pode plantar, sob o risco de perder a indenização, afirmou.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, alertou ao governo e ao Congresso que a demora das indenizações e e vistorias, prejudica todo o planejamento da próxima safra. Agricultores podem perder a melhor época de plantio.
Pressionada, a Cosesp anuncia que em 10 dias deverá encerrar todas as vistorias. Granato avalia que 60% das vistorias já foram feitas e o restante deve ser concluído até o final do mês. Enquanto isso, a Cosesp continua negociando com o governo federal para que os recursos sejam colocados na conta do Fundo.
Safra de verão Mesmo com os problemas gerados pela falta de pagamento das indenizações das culturas de inverno, a Cosesp abriu as inscrições para o seguro da safra de verão. Segundo o assessor técnico da Faep, Jorge Proença, a credibilidade das operações vai depender dos agentes financeiros, durante a exigência do pagamento do seguro dos financiamentos de custeio. Mas ele acha difícil que a empresa tenha credibilidade entre os agricultores, que vão plantar a safra com recursos próprios.


