Arquivo FolhaKandir: lentidão caraO governo federal deixou de economizar R$ 140 milhões de despesas com juros de refinanciamento da dívida pública mobiliária em poder do mercado ao ter esperado até ontem para reduzir as taxas de juros - na última quarta-feira, o teto máximo da Tban caiu de 49,75% ao ano para 42,25%, permitindo que o Banco Central praticasse ontem o over-Selic em torno de 39%. O cálculo foi feito pelo ex-ministro do Planejamento e deputado Antônio Kandir (PSDB-SP), que afirma não ver razões para os juros do overnight - aqueles que efetivamente valem para as negociações econômicas - permanecerem fora do intervalo de 30% a 35%.
Para estimar o custo dos juros elevados para os cofres do governo federal, Kandir partiu do pressuposto que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderia ter antecipado para a quinta-feira da semana passada - o dia seguinte à aprovação da reforma da Previdência no Congresso - a decisão de diminuir os juros. ‘‘Os 340 votos favoráveis à reforma da Previdência e o estágio avançado das negociações para o acordo com o Fundo Monetário Internacional uma semana atrás eram mais do que suficientes para uma reunião extraordinária do Copom no dia cinco de novembro’’, afirmou o deputado.
Na avaliação de Kandir, juros efetivos de 33% ou 34% ao ano no Brasil garantiriam aos investidores internacionais a mesma rentabilidade obtida nas aplicações em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, para onde o Banco Central teme a fuga dos capitais estrangeiros. ‘‘O alto coeficiente de risco internacional já foi bastante atenuado’’, completou o parlamentar. Segundo ele, ao praticar a taxa over-Selic de 39%, como ocorreu hoje, e não de 35% - patamar possível no novo cenário do País - o Brasil está perdendo R$ 28 milhões ao dia.
Ainda de acordo com as simulações de Kandir, ‘‘o Banco Central reconheceu que está jogando fora no mínimo R$ 55,5 milhões por ter esperado até ontem para adotar o conservadorismo de reduzir a taxa em meio ponto percentual ao dia’’. Essa economia teria sido acumulada no período de 5 a 11 de novembro, considerando ainda que do total da dívida pública mobiliária federal (R$ 302 bilhões), 62% (ou R$ 187,6 bilhões) são de papéis públicos em poder do mercado.

mockup