O Ministério do Trabalho prorrogará por um mês a concessão de seguro-desemprego aos trabalhadores demitidos de dezembro de 1997 a fevereiro deste ano, como forma de atenuar a situação dos desempregados. A medida beneficiará 660.105 trabalhadores desempregados, que passarão a receber quatro parcelas do seguro.
O ministro do Trabalho, Paulo Paiva, explicou que a decisão foi tomada em face da taxa média de desemprego de 7,25% verificada em janeiro. ‘‘Não é uma boa notícia’’, disse o ministro, que admitiu que o aumento do nível de desemprego já era esperado. ‘‘As taxas de desemprego sempre são mais altas em janeiro e ao longo do primeiro semestre’’, disse Paiva.
A decisão do ministério ainda deve ser aprovada pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) e é continuidade de uma medida semelhante anunciada em 17 de dezembro passado. Terão direito à parcela extra aqueles que trabalhadores que tenham a última parcela do seguro desemprego vencendo entre 1º de março e 31 de maio deste ano.
Serão beneficiados desempregados das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Vitória, Belém e Distrito Federal. Ao todo, serão consumidos mais R$ 123,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Para São Paulo, região onde se verificou uma taxa de desemprego de 8,51%, o ministério prevê ajuda para 247.932 desempregados, que consumirão R$ 46,4 milhões. No Rio serão atendidos 122.607 trabalhadores, ao custo de R$ 22,9 milhões.
Sazonal Para o ministro, o aumento do desemprego anunciado pelo IBGE já era esperado, em função dos fatores sazonais da economia. Normalmente, nos primeiros meses do ano existe uma queda acentuada nos níveis de desemprego. Ainda assim, o ministério não fez previsões sobre o total da taxa. ‘‘Este crescimento foi mais acentuado que os anteriores’’, disse o ministro. ‘‘É a mais alta taxa verificada em janeiro desde 1985’’, reconheceu.
Segundo ele, desde maio passado é verificado um aumento das taxas em relação ao ano anterior. ‘‘Há um movimento estrutural de elevação das taxas de desemprego’’, afirmou. ‘‘Houve uma queda dos empregos formais no País’’, disse.
Ele lembrou que em dezembro foram fechados 335 mil postos de trabalho no País. Em relação a 96, isto representou uma queda de 35 mil postos, já que de janeiro a novembro surgiram 300 mil postos de trabalho. Além disso, é em janeiro que ingressam milhares de jovens no mercado de trabalho. Ele lembrou que a População Economicamente Ativa (PEA) cresceu 1,4% em janeiro em relação a dezembro de 97.
Na visão do ministro, o resultado de janeiro pode ser temporário. ‘‘A expectativa é que o efeito seja transitório e chegue a um equilíbrio’’, disse Paiva. Ele não faz previsões sobre os próximos meses. ‘‘Ainda não existe metodologia capaz de estimar as taxas de desemprego’’, afirmou.
Alternativas Além da prorrogação da parcela do seguro-desemprego, o ministro garantiu que o governo continua promovendo ações contra o desemprego. Citou como exemplos as medidas da política econômica para manter a economia estável, a política educacional e modernização da legislação trabalhista.

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