Demitidos querem intervenção do governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC condiciona uma solução para as demissões na Ford a uma intervenção do governo federal no caso. Para o presidente do sindicato, Luiz Marinho, não há como convencer a empresa a suspender as 2.800 demissões sem que o governo crie medidas para reativar as vendas. A reunião com a direção da Ford, ontem à tarde, foi curta - durou menos de uma hora e meia - e as partes não chegaram a um acordo.
Marinho previu que o movimento de protesto, que ontem e hoje colocou os demitidos dentro da fábrica, vai ser muito longo. Pode durar até dois ou três meses, disse. Segundo ele, a mobilização deverá durar muito, não apenas porque a Ford está resistindo como também não é rápido envolver o governo.
Na verdade, toda a movimentação lobista da indústria automobilística em favor da suspensão da elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em vigor desde o início do mês, acabou ganhando o apoio do sindicato. Marinho disse não estar preocupado em defender o mesmo que as montadoras querem. Não vou ter problema de consciência se isso ajudar o emprego, frisou.
A Ford também parece não ter pressa. Como as demais montadoras, a marca conta com estoque suficiente para quase um mês de vendas. Por isso, programou um ritmo de produção bastante lento para este mês.
Segundo o diretor de recursos humanos da Ford, Carlos Augusto Marino, a programação de produção deste mês é de três mil unidades. Isso significa menos de um terço do que a empresa fabricava com apenas um turno de trabalho no final do ano passado. Significa ainda quase 10% da média de há um ano. Somente em março ou abril é que o ritmo de produção diário voltará a passar de 500 unidades por dia (três vezes mais do que em janeiro), igualando à média do final do ano passado.
Na reunião de ontem, a direção da empresa se limitou a discutir apenas o caso de cerca de 200 trabalhadores que foram demitidos, apesar da estabilidade por doença profissional. Os sindicalistas argumentaram que isso não basta e insistiram na suspensão de todas as 2.800 demissões. O sindicato vai propor aos trabalhadores, hoje, a continuidade do movimento de protesto. Mas não foi decidida ainda qual será a próxima estratégia. Anteontem e ontem, os demitidos entraram na fábrica, junto com os demais trabalhadores, mas as linhas de montagem não funcionaram. A empresa evita ligar as máquinas porque, segundo Marino, teme problemas de segurança.
Hoje, o presidente do sindicato e o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, têm uma reunião com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, a quem vão pedir apoio para tentar evitar que a guerra fiscal esvazie os investimentos na fábrica de São Bernardo do Campo em favor da nova planta que a Ford começará a construir em Guaíba (RS). O sindicato também aguarda confirmação do ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, para uma reunião na próxima segunda-feira. Segundo Marinho, o sindicato estudará também a possibilidade de incluir no movimento da Ford trabalhadores de outras empresas.


