Demitidos negociam benefícios
Marcelo AlmeidaNa lista de cortesLourival de Melo, 37 anos, pretende voltar a ser pedreiro: Disseram que culpa é da crise mundialOs funcionários demitidos da Philip Morris se reúnem hoje ao meio dia na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Fumo para discutir o processo de demissão na fábrica curitibana. Eles querem que a Philip Morris amplie os benefícios dados aos demitidos. A empresa se comprometeu com os empregados a dar algumas vantagens além do que está previsto da Lei Trabalhista.
Cada um dos demitidos receberá 20% a mais do salário sobre cada ano de serviço prestado à empresa. Há ainda um adicional que varia conforme a idade do trabalhador. Por um período de seis meses, será mantido o serviço de assistência médica e seguro de vida. A Philip Morris gastará US$ 5 milhões com a rescisão dos 800 funcionários.
O secretário geral do Sindicato, Alberto Gomes dos Santos, afirmou que a demissão na empresa deve gerar um problema social entre os desempregados, pois a oferta de trabalho é reduzida. Sabemos que é muito difícil reverter o quadro de demissões, mas temos que tentar ajudar ao máximo quem perdeu o emprego, disse Santos.
Os sindicalistas e alguns desempregados passaram parte do dia de ontem em frente ao portão de entrada da fábrica. No final da tarde, apenas um grupo de 10 pessoas ainda permanecia no local, apesar de o expediente ter sido cancelado pela manhã.
Muitos não acreditavam na perda do emprego. Este foi o caso do trabalhador Lourival de Melo, 37 anos, que atuava no setor de produção de cigarros. Há oito anos na empresa, ele se disse surpreso. Eles me disseram que fui demitido por causa da crise mundial. Agora vou tocar a bola para frente, lamentou, ainda com o papel da rescisão na mão. Casado com dois filhos, Melo vai tentar retomar a profissão de pedreiro.





