Demitidos levarão as famílias
Os 2.800 demitidos da unidade da Ford em São Bernardo vão levar suas famílias, na próxima semana, para a assembléia realizada diariamente na porta da fábrica. A participação das famílias no protesto contra as demissões é mais uma estratégia do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, para pressionar a montadora a suspender todos os desligamentos.
Ontem, os demitidos ocuparam novamente a fábrica, pelo quarto dia consecutivo. A montadora não ativou a linha de produção e os metalúrgicos demitidos pela empresa passaram o dia conversando. Pela primeira vez nesta semana, a Ford liberou a entrada na fábrica para a imprensa.
O metalúrgico Agostinho Amorim, 36, por exemplo, passou parte da manhã jogando dominó com os colegas. Ele trabalha na montagem de portas e recebeu a carta comunicando a sua demissão no dia 22 de dezembro. A situação é preocupante, é pior que filme de terror , disse. Sérgio Martins Bonfim, 34, trabalhava na inspeção dos carros e afirma que 80% dos trabalhadores da sua seção foram cortados. Ele recebeu a carta de demissão na véspera de Natal.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, vai procurar o governo estadual de Minas Gerais e o do Rio de Janeiro para que o tema do desemprego entre na pauta da reunião de governadores, neste mês. Na terça-feira, Marinho deverá se encontrar com Itamar Franco, governador de Minas Gerais. Até lá, o sindicalista vai tentar marcar uma audiência com Anthony Garotinho, do Rio.
Nesta semana, o presidente do sindicato já se encontrou com o vice-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e com o governador do Rio Grande do Sul, também em busca de apoio contra as demissões ocorridas na Ford e em outras indústrias.
Segundo Marinho, a idéia é fazer com que os governadores assumam o tema do desemprego e pressionem o governo federal a tomar medidas de impacto positivo na produção. Marinho defende a redução significativa das taxas de juros e diminuição da carga tributária sobre os veículos, por meio de alíquotas menores de IPI e ICMS.
Na assembléia de ontem na porta da Ford, o presidente do sindicato já contou com a presença do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O sindicato avalia que, se o governo anunciar medidas que tenham algum impacto na produção e nas empresas, a ponto de fazer com que as perspectivas pessimistas sejam revisadas, os sindicalistas terão autoridade suficiente para exigir da Ford a suspensão imediata dos 2.800 demitidos.Robson Fernandjes/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)ApoioO senador Eduardo Suplicy (PT-SP) discursa na assembléia dos metalúrgicos demitidos da FordAgência Folha





