Demitidos fazem vigília por pagamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de maio de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Cerca de 20 ex-funcionários da MetalBat, fabricante das baterias Reifor em Londrina, montaram um acampamento em frente à empresa em protesto à falta de pagamento. Eles fazem parte de um grupo de 70 pessoas demitidas no último dia 2, e que não tem qualquer perspectiva sobre o recebimento de seus direitos da rescisão trabalhista.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina e Região, Sebastião Raimundo da Silva, a empresa vem atrasando o salário dos 300 funcionários desde agosto do ano passado. A situação piorou em fevereiro, quando a produção caiu vertiginosamente por falta de matéria-prima. Desde então, os funcionários não recebem nada.
A justificativa dada pelos patrões é que a alta do dólar elevou muito o preço do chumbo e a solução foi a venda de metade das ações para um grupo argentino. Antes que os novos proprietários tomassem posse, foi acertado com o sindicato que os salários atrasados seriam pagos em quatro parcelas e a partir de maio o pagamento seria regularizado, o FGTS seria depositado religiosamente de julho em diante e que nenhum funcionário do setor de produção seria demitido.
''Nós também tínhamos direito à parcela de abril e não recebemos. Tem gente aqui que está sem salário desde dezembro. Ninguém aguenta mais'', desabafam os manifestantes que prometem permanecer em vígilia até que o problema seja resolvido.
Atualmente, a MetalBat tem 180 funcionários que, segundo Silva, se recusam a fazer greve porque esperam o cumprimento do acordo. ''Todos têm medo de perder o emprego'', explicou o sindicalista. Na próxima terça-feira, ele participará de uma mesa-redonda com representantes da empresa na Delegacia Regional do Trabalho. A reportagem da Folha tentou contato com os diretores da empresa e sua assessoria jurídica, mas a assesoria de imprensa informou que os diretores só falariam sobre o assunto hoje.


