Demitidos cobram os atrasados
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terça-feira, 03 de abril de 2001
Benê BianchiDe Londrina 
Sem conseguir receber salários atrasados e verbas rescisórias, ex-funcionários da fábrica de pré-moldados Weisberg estão desde sexta-feira fazendo protestos em frente à sede da empresa, em Rolândia. Eles alegam que foram demitidos no início do ano, receberam de R$ 50 a R$ 100 e até agora não conseguiram receber o saldo dos salários atrasados e as férias vencidas. Também reclamam que há um ano e meio a empresa não vem depositando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Trabalhei 4 anos e três meses na firma e só tinha R$ 800,00 no Fundo de Garantia, diz o ex-funcionários Daniel Bento.
Segundo um dos manifestantes, Claudemiro Francisco Agostinho, 49 pessoas estão participando dos protestos em frente à empresa ontem à tarde havia apenas cerca de 10. A empresa alega que não tem dinheiro porque não consegue receber as obras já entregues, mas eles continuam contratando funcionários. Esta é uma prática comum deles: contratam, ficam com o funcionário cinco, seis meses, e depois demitem sem pagar nenhum direito ao trabalhador, afirma Agostinho.
O presidente do Sindicato dos Moveleiros e Construção Civil de Arapongas, entidade que representa os trabalhadores do setor de Rolândia, Manoel Francisco da Silva, informa que a entidade entrará na justiça com ações visando a penhora de matéria-prima da empresa. O sindicato também já registrou queixa na polícia por apropriação indébita contra a Weisberg, que segundo Silva, não tem repassado a contribuição sindical à entidade.
O coordenador geral da Weisberg, Júlio César Ferreira, admite que as verbas rescisórias não foram quitadas e que a empresa vem enfrentando problemas financeiros há cerca de oito meses. Mas estamos nos recuperando mês a mês e temos perspectivas de quitar o saldo dos salários ainda este mês. Segundo ele, são necessários R$ 12.500,00 para quitar essa dívida, valor que se refere a 44% dos salários atrasados. O restante já foi pago, afirma.
Ferreira nega que seja prática da empresa contratar e demitir funcionários rotineiramente sem pagar as verbas rescisórias. A empresa tem 20 anos. Não sobreviveríamos tanto tempo se adotássemos essa prática.


