Demitidos acampam em frente à empresa
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Carmem Murara 
Os 800 demitidos da fábrica de cigarros Philip Morris, na última sexta-feira, iniciaram ontem um protesto em frente ao portão central da empresa na Cidade Industrial de Curitiba. Com faixas e cartazes, um grupo de 50 ex-funcionários e sindicalistas se revezou na manifestação, que tem a intenção de pressionar a diretoria da Philip Morris a melhorar os benefícios trabalhistas que serão dados no momento da rescisão contratual. Os operários que foram mantidos na empresa temem que a fábrica seja fechada nos próximos meses.
A suspeita de fechamento da Philip Morris foi levantada ontem pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Fumo. O presidente do sindicato José Aguinaldo Pereira disse que há a possibilidade de a empresa concentrar os negócios apenas no município de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, onde há uma unidade industrial que abastece o mercado nacional de cigarros. Eles estão transferindo parte do maquinário para Santa Cruz, porque o governo gaúcho ofereceu mais incentivos fiscais para eles. Vários contêineres fechados já saíram daqui com as máquinas, afirmou Pereira.
A direção da Philip Morris nega a possibilidade de encerrar as atividades da fábrica em Curitiba. Não há a intenção de fechar. Estamos apenas adequando a nossa força de trabalho de acordo com o programa, afirmou o diretor de Assuntos Corporativos e Manufatura, Aidir Parisi. A demissão em massa atingiu apenas a fábrica paranaense, que exportava 90% da produção para a Rússia, Leste Europeu e Oriente Médio, países que suspenderam a compra dos cigarros após a crise econômica mundial. Com o corte de funcionários, a Philip Morris passa a operar com cerca de mil operários.
A empresa de cigarros ainda não sabe se vai poder melhorar a oferta de benefícios aos demitidos. Além dos direitos trabalhistas, cada um deles vai receber 20% de um salário a cada ano trabalhado e vai ter a manutenção de convênio médico e seguro de vida por seis meses.
Os operários que perderam o emprego querem pagamento da indenização de um salário por ano de trabalho, manutenção do convênio médico, seguro de vida, auxílio-medicamento por um ano e fornecimento de cesta básica. A empresa anuncia na quinta-feira se vai ou não atender o pedido dos demitidos.
Enquanto aguardam a decisão da empresa, os demitidos pressionam o governo do Estado e até o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) a encontrar uma solução para o problema. Eles visitaram ontem o presidente do TRT, Pretextato Taborda, para pedir que ele interceda a favor dos trabalhadores. O tribunal só poderá agir a favor dos demitidos se a empresa descumprir as leis trabalhistas.


