''Triste e penoso''. É com estes dois adjetivos que o analista de sistemas Mauro Viecelli, ex-funcionário de um banco em Londrina, define o período em que ficou desempregado após aderir ao PDV da instituição financeira.
Apesar de não ter sido pressionado a deixar o emprego, ele conta que se decepcionou com a pressão exercida sobre os colegas com mais de 16 anos de casa. Por isso em 1995, após 20 anos dedicados ao banco, ele aderiu ao PDV no último dia.
''A indenização oferecia boas perspectivas. Quando sai, porém, vi que a realidade era mais dífícil'', comentou ele, que abriu uma empresa de processamento de frutas em Natal (RN) logo depois do desligamento. Por má gerência de um sócio, porém, o negócio não deu certo e ele voltou para Londrina sem nada.
Acabou arrumando um emprego, mas nunca voltou a obter os mesmos rendimentos do banco. ''Foi difícil formar meus dois filhos'', disse Viecelli, que hoje é gerente do Sistema Público de Empregos em Londrina (antigo Sine). Apesar das dificuldades, ele não se arrependeu de ter aderido ao PDV.
Geraldo Fusto dos Santos, o ''Ceará'', presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, informou que a entidade sempre orientou os associados a não aderirem aos PDVs. ''Normalmente, o programa é precedido por terrorismo e violência contra os direitos dos trabalhadores, que começam a ser tratados como 'entulhos''', criticou.

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