Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre outubro do ano passado e o último mês de fevereiro foram demitidos 7,8 mil trabalhadores das montadoras. E ao contrário do esperado corte de despesas algumas das dispensas foram negativas em dois sentidos. No primeiro tange aos custos com rescisões contratuais e prejuízos sobre os investimentos em treinamento e capacitação da mão de obra.
O segundo ponto surgiu quando o governo decretou uma medida de renúncia fiscal do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que aqueceu o mercado e pegou muitos pátios lotados de veículos, mas que não atendiam as exigências ou necessidades dos clientes. ''Por isso veio muita gente fechar negócio aqui. Eu tinha como atender sob encomenda'', informa Job Terrin Júnior, proprietário de concessionária.
Segundo a economista Katy Maia, o governo saiu em defesa do setor automobilístico porque em âmbito global foi o que mais sentiu a crise. ''Em meio às reduções de jornada, férias coletivas e demissões foi uma atitude que trouxe bons resultados, mas é uma política temporária'', avalia. Quem conseguiu segurar a força de trabalho, além de atender a demanda que chegou a surpreender alguns empresários, segundo a economista também reduziu os custos rescisórios porque os encargos trabalhistas são bastante pesados e onerosos.
Ela aponta que as particularidades de cada negócio também pesam nessas horas de decisões importantes, principalmente no caso das demissões. ''No setor existem empresários mais propensos ao risco e outros menos. Alguns com situação de liquidez mais favoráveis outros não'', exemplifica.
Porém, na prática eles não podem correr riscos e operar com o caixa no negativo. ''Algumas montadoras podiam esperar por um tempo maior, mas outras estavam mais perto do prejuízo e tiveram que demitir. Eu acredito que o negócio se deu assim'', conclui a economista. (R.O.)

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