Demissões surpreendem imprensa londrinense
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A imprensa londrinense começou a semana com 25 profissionais desempregados pelo Jornal de Londrina (JL). O comunicado foi feito na segunda-feira e, até agora, a categoria ainda recupera-se do susto. Somente na Redação, foram demitidos 16 jornalistas e diagramadores, ou seja, metade da equipe responsável pela produção de notícias da cidade e região. Ao todo, a empresa dispensou um terço do seu quadro funcional.
De acordo com Rogério Mainardes, diretor de marketing da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), proprietária do jornal, trata-se de uma adequação ao mercado e otimização da estrutura do grupo que possui também uma emissora de rádio, oito de televisão (filiadas à Rede Globo), um portal na internet e outro jornal impresso. ''A idéia é aproveitar melhor o conteúdo produzido no Estado e tornar o Jornal de Londrina mais objetivo e dinâmico'', completou o executivo ao adiantar que na próxima segunda-feira o JL apresentará um novo formato gráfico.
Por enquanto, não há previsão de novas demissões no periódico, embora Mainardes afirme que a RPC fará todas as alterações necessárias. Ele também descartou a possibilidade de venda do jornal neste momento. ''O mercado jornalístico está crescendo e o grupo tem obtido excelentes resultados, principalmente nas emissoras de televisão. No entanto, alterações são comuns em qualquer empresa de qualquer ramo''.
Na opinião de Raquel de Carvalho, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Londrina e Região, é impossível manter a produção e qualidade da informação com metade da equipe. ''Com certeza, a sociedade será a mais prejudicada com essa mudança porque perderá em conteúdo e, dificilmente, conseguirá absorver a mão-de-obra dispensada'', argumentou a sindicalista que criticou a RPC pelo desrespeito à convenção coletiva da categoria.
Segundo ela, a empresa deveria ter consultado seus funcionários antes da demissão em massa e oportunizar uma negociação, começar os desligamentos pelos já aposentados e prosseguir com aqueles de menor tempo de casa (solteiros, menor faixa etária e menores encargos familiares nessa mesma ordem).
Entre os filiados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas e Empresas de Jornais e Revistas de Londrina e Região (STIGJOR) foram nove demissões. Segundo o presidente Reginaldo Cesar de Campos, os desligamentos atingiram a gráfica e o setor administrativo. ''A empresa tem 10 dias para fazer as rescisões contratuais que somente serão homologadas depois de conferirmos os cálculos'', disse Campos que colocou à disposição dos desempregados a assessoria jurídica da entidade.


