A demissão de 800 trabalhadores da fábrica da Volkswagen, ontem, em São Bernardo do Campo (SP), desencadeou uma greve dos metalúrgicos e esquentou o debate sobre a crise econômica do setor. A Volkswagen confirmou as demissões e justificou a medida como essencial para "estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade".
Os desligamentos de funcionários vêm ocorrendo desde o ano passado, quando cerca de 11 mil postos foram fechados, segundo dados divulgados em novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção Júnior, os cortes podem respingar nas concessionárias. "Claro que essas demissões nas montadoras pioram o cenário para as concessionárias. Se você produz menos, você vende menos", afirmou, ponderando que o impacto vai depender de cada grupo empresarial. O dirigente disse, contudo, que a piora não deve ser grande, pois o setor já vem se "adequando" ao novo cenário econômico nos últimos dois anos.
Questionado, Assumpção não soube precisar quantos empregos foram cortados nas redes neste período, informando apenas que o setor tem atualmente 409 mil trabalhadores nas redes de distribuição em todo o País. Assumpção fez questão de considerar ainda que, apesar do cenário ruim, o número de concessionárias aumentou no ano passado para 8 mil, ante cerca de 7,6 mil em 2013. Para 2015, ele afirmou que sua "opinião pessoal" é de que esse número não deve cair.
Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), questionada sobre as demissões no setor, disse que só deve se pronunciar sobre o assunto durante a coletiva para apresentar os dados de produção, exportação e vendas de veículos no País, marcada para esta quinta-feira.

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