Demissões representam perdas R$ 500 mil/mês para Campo Largo
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sábado, 14 de abril de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Com as demissões de 680 funcionários da fábrica da TMT Motoco do Brasil em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, a economia do município perde cerca de R$ 500 mil por mês. Este valor é referente a soma de todos os salários dos funcionários utilizado para gastos com moradia, alimentação, transporte, vestuário e que alimentava a economia e o comércio do município. Cerca de 80% dos funcionários da empresa são habitantes do município e a previsão é que o comércio tenha uma queda de vendas de 30% nos próximos meses.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Largo, Luiz Fernando Mazanek, disse que as perdas serão muito grandes para o município. Segundo ele, parte dos funcionários poderá ser absorvida pelo setor cerâmico - que é um dos mais representativos na localidade, tem mais de 40 empresas e emprega 10 mil pessoas.
Ele acredita que a transferência da planta industrial da Lorenzetti de Guarulhos (SP) para Campo Largo também pode ajudar a alavancar um pouco a economia do município. Esta indústria - que faz parte do Grupo Legrand - já tinha uma unidade no município e ampliou as atividades. A companhia é a segunda maior empregadora do município e só perdia para a TMT. A Lorenzetti tinha 600 funcionários e, com a ampliação, deve chegar a mil. O grupo trabalha com produtos e sistemas para a instalação elétrica e redes de informação.
O presidente do Conselho da Associação Comercial de Campo Largo (Acicla), Aristeu Riva Bem, tem outro ponto de vista e não está tão otimista como Mazanek. ''É um desastre para a cidade (as demissões)'', disse. Segundo ele, a venda de porcelana também caiu muito e o número de indústrias desta área foi reduzido de 100 para 30 nos últimos três anos. Ele acredita que os principais fatores que levaram à redução do número de fábricas na área de porcelana estão a concorrência com os produtos da China, a falta de planejemento que existe para o setor e a alta carga tributária. ''É preciso fazer um projeto para o setor de louça, as empresas estão morrendo'', disse.
Riva Bem também é proprietário de uma loja de departamentos na cidade. Só no cadastro dele, há 50 clientes que eram funcionários da TMT. Ele lembrou que a cidade já tinha sido abalada pelo episódio envolvendo o vereador Cláudio Cyz (PSDB), que deu o calote em pelo menos 3,5 mil moradores. Ele era dono de uma empresa de consultoria financeira e prestava serviços na área. A estimativa é que os moradores do município tenham perdido juntos cerca de R$ 60 milhões. A empresa do vereador prometia rendimentos para os clientes através da aplicação na bolsa de valores.
Com a crise do setor de porcelana somada ao golpe praticado pelo vereador, várias lojas já tinham fechado as portas na cidade como farmácias, supermercados, estabelecimentos da área de eletrodomésticos e de vestuário. Riva Bem acredita que outras lojas venham a fechar as portas.
Hoje, a maior arrecadação da Prefeitura de Campo é com o setor cerâmico, que representa 60% do bolo de impostos. O volume total de tributos destinados à prefeitura por ano é de R$ 85 milhões que inclui o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) - que tem uma parcela do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados - o repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPTU (Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana) e ISS (Imposto sobre Serviços). Este montante é arrecadado apenas pelas 1.500 indústrias do município.


