Demissões na fábrica de fertilizantes em Araucária devem começar em fevereiro


Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Representantes da FUP (Federação Única dos Petroleiros) e da Petrobras reuniram-se com o MPT (Ministério Público do Trabalho), em Curitiba, nesta sexta-feira (24), para discutir o fechamento da ANSA (Araucária Nitrogenados S.A.), que deve resultar na demissão de cerca de mil funcionários, sendo cerca de 400 diretos e outros 600 terceirizados. A desativação da unidade localizada em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) foi anunciada pela petrolífera no dia 14 de janeiro e as demissões devem começar em 14 de fevereiro.

Subsidiária da Petrobras, a ANSA foi adquirida da Vale Fertilizantes S.A. em 2013 e é a única fábrica de fertilizantes em atividade no País. Outras duas unidades mantidas pela estatal já foram fechadas nos últimos anos, uma na Bahia e outra em Sergipe.



Em protesto contra a decisão de fechar a unidade, desde a última terça-feira (21) funcionários da unidade estão acorrentados em frente à fábrica. A FUP e o Sindiquímica-PR, que também representa os trabalhadores, alegam que os desligamentos contrariam o acordo coletivo da categoria, que impede demissões em massa.

Na reunião desta sexta-feira, segundo o diretor da FUP, Gerson Castellano, a Petrobras teria anunciado que as demissões irão começar no dia 14 de fevereiro. “Foram quatro horas de reunião e os pontos que foram debatidos foram sobre a questão do fechamento, das demissões e dessa gravidade que está ocorrendo aqui no Paraná, com a perda de empregos e a desindustrialização.” Ele informou que o MPT instituiu uma força-tarefa para discutir o fechamento da unidade em Araucária.

Em nota publicada em seu site no último dia 14 de janeiro, a estatal afirma que os resultados históricos da ANSA demonstram a falta de sustentabilidade do negócio. De janeiro a setembro de 2019, afirma a petrolífera, o prejuízo gerado pela unidade de Araucária somou quase R$ 250 milhões e a previsão para 2020 é de um resultado negativo acima dos R$ 400 milhões. Segundo a Petrobras, o custo do resíduo asfáltico utilizado como matéria-prima é mais alto do que os produtos finais.

Castellano adiantou que os atos de protesto irão continuar pelos próximos dias e que todos os 13 sindicatos do País ligados à FUP preparam uma greve nacional para o dia 1º de fevereiro como forma de pressionar a Petrobras para que não dê continuidade ao processo de fechamento da ANSA. “Estamos tentando mobilizar a Prefeitura de Araucária, o governador do Estado (Ratinho Júnior) para evitar perdermos a indústria. O Paraná está sendo desindustrializado e se fechar a ANSA, as próximas unidades a serem fechadas serão a Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas, também em Araucária) e a SIX, de São Mateus do Sul (Industrialização de Xisto, no Sudoeste do Estado)”, disse o diretor da FUP. 

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