Curitiba- Das cerca de 160 empresas filiadas ao Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal), 89% pretendem conceder férias coletivas variando entre uma semana e 30 dias no mês de dezembro e início de janeiro, de acordo com pesquisa realizada pela entidade na semana passada. Dessas, 75% não previam essa parada, em razão do crescimento que o setor vinha sentindo havia cerca de um ano e meio. ''Esse dado nos chamou muito a atenção'', disse o presidente do sindicato, Roberto Karam.
Mas o pior é que ele já prevê demissões para janeiro, tão logo os trabalhadores retornem das férias. Karam destacou que, durante o período de expansão, o setor ganhou mais 5 mil trabalhadores que se juntaram aos outros 20 mil já contratados.
De acordo com o presidente do Sindimetal, as férias coletivas não programadas concedidas pelas montadoras que possuem unidades no Paraná produziram um efeito cascata. A fábrica da Volkswagen, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, está concedendo férias para metade dos 3,6 mil funcionários - 900 pararam no início do mês e outros 900 voltam na quinta-feira (20), cumprindo dez dias de folga.
No mesmo município, a Renault anunciou parada entre 2 de dezembro e 7 de janeiro. ''Isso é completamente atípico'', ponderou Karam. Ele acredita que os fornecedores diretos e indiretos podem seguir o mesmo caminho. Na Volvo, que produz caminhões e ônibus na Cidade Industrial de Curitiba, por enquanto estão previstas apenas as tradicionais férias coletivas entre 22 de dezembro e 4 de janeiro.
Apesar da previsão de que as demissões podem ocorrer a partir de janeiro, Karam disse que o Sindimetal tem reiterado os pedidos para que os associados, ''dentro do possível'', evitem tomar essa atitude. Mas, como o risco existe, ele acredita que outros setores, como o comércio, devem sofrer também.
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), regional do Paraná, disse que, por enquanto, não está se pronunciando sobre os reflexos da crise. De acordo com a assessoria, uma pesquisa nacional com os associados está sendo encerrada e deve demonstrar as dificuldades e as perspectivas de investimento diante do novo quadro. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, não foi encontrado para comentar as previsões do Sindimetal.

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