Os cortes na Ford, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, atingiram todos os setores da fábrica. Entre os demitidos estão trabalhadores prestes a se aposentar e afastados por problemas de saúde. Sidney Roberto dos Santos, de 34 anos, está sem trabalhar desde setembro por causa de uma cirurgia feita no pulso esquerdo em decorrência de complicações por conta de uma tendinite.
Funcionário da Ford há nove anos, Santos trabalha no setor de pintura e ganha R$ 1,2 mil por mês. Na sexta-feira recebeu a carta informando de seu desligamento. Ele tem esposa e três filhos e mora na casa da sogra. Teme, entre outras coisas, perder o convênio médico, pois ainda tem vários exames médicos a fazer.
José Gonçalves, funcionário há 23 anos, disse ter recebido ontem um comunicado do Hospital Brasil, onde o filho de 16 anos está internado, para fazer um depósito de R$ 2 mil porque o convênio médico mantido pela Ford já estaria sendo cancelado.
Carlos José Ferreira, 48 anos de idade e nove de Ford, disse que não consegue dormir desde quinta-feira, quando recebeu a carta de dispensa. Ele tem esposa e três filhos, recebe R$ 1,2 mil por mês e paga R$ 670 de prestação da casa recentemente adquirida. ‘‘Quando a empresa precisou colocar o Ka no mercado usou e abusou do trabalhador; agora, dispensa a gente como se fôssemos copos descartáveis’’, desabafou.
No dia 30, Sérgio Gonçalves da Silva soube, também por carta, que estava demitido da Ford, onde trabalha no setor de funilaria há 10 anos. Aos 52 anos e prestes a se aposentar, ele disse que recentemente tentou se inscrever no programa de demissões voluntárias aberto pela empresa, mas não foi aceito. Com o pacote do voluntariado ele poderia receber cerca de R$ 40 mil. Com a demissão, deve receber perto de R$ 34 mil.(AE)

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