Demissão de 33 mil servidores renderá R$ 36 milhões em 1998
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Wilson Pedrosa/AFPCorte na veiaBresser Pereira: Ajuste é duro e requer o sacrifício da sociedadeO governo escolheu o funcionalismo público como um dos principais alvos do pacote de ajuste fiscal divulgado ontem para cortar de imediato R$ 2,141 bilhões na previsão de gastos públicos para 1998. Mas a medida mais drástica entre as 11 tomadas na área de pessoal - a demissão de aproximadamente 33 mil servidores não-estáveis, que só deve começar depois do Natal - renderá apenas R$ 36 milhões de economia no próximo ano.
De 1999 em diante, a economia esperada com a demissão de não-estáveis é de R$ 357 milhões, já descontados os R$ 321 milhões previstos para indenizações. O maior impacto financeiro consequente das medidas de contenção de gastos, porém, virá do bolso de cada servidor. O funcionalismo público entra no quarto ano consecutivo sem receber reajuste salarial e o governo, com isso, reduz em R$ 1,5 bilhão a despesa prevista com pessoal no orçamento de 1998. Foram suspensos também os reajustes diferenciados que vinham ocorrendo para corrigir distorções salariais de determinadas categorias.
O governo optou por um ajuste fiscal muito duro e para isso está pedindo o sacrifício de toda a sociedade, inclusive do funcionalismo público, afirmou ontem o ministro da Administração, Bresser Pereira. Do corte de R$ 2,141 bilhões, R$ 641 milhões são despesas cortadas na veia, explicou o ministro. Esta economia inclui, além da demissão dos não-estáveis, a retirada de aproximadamente 30 mil aposentados e pensionistas do cadastro dos inativos do setor público. Esses supostos servidores são a diferença que o governo estima dos 144 mil inativos que não fizeram o recadastramento de julho e serão reconvocados pelo governo para comparecer em seus órgãos até 18 de dezembro. O impacto financeiro dessa medida será de R$ 234 milhões ao ano.
As regras para a demissão dos não-estáveis serão divulgadas nos próximos dias, por meio de decreto. O governo não disse quais os servidores serão demitidos, mas estão na mira todos aqueles que integram as atividades meio da administração pública, com excesso de pessoal. Órgãos como a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Fundação Roquete Pinto, Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) são alvos do corte de pessoal.
Foram tomadas outras medidas de redução de gastos para surtirem efeitos já no orçamento de 1998: extinção da incorporação de décimos (os adicionais concedidos aos cargos em comissão), proibição do pagamento de horas extras, corte de 10% da despesa com os cargos de confiança, com a previsão de se reduzir 1.700 cargos no Executivo, proibição de contratação de servidores por tempo determinado, reposição de apenas um terço dos cargos vagos em decorrência de aposentadorias e extinção de mais 70 mil cargos, além dos 100 mil extintos ano passado.


