Demanda segura repasse de preços
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Paula Puliti<br> Agência Estado 
São Paulo A alta das matérias-primas ainda é o principal fator a causar impacto nos preços industriais, mas empresários e analistas dizem que não há sinais de pressões inflacionárias. Segundo o economista-chefe do Bradesco, Otávio de Barros, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado ontem (de 0,33%) mostra, de fato, uma clara evidência do efeito das pressões do atacado sobre o varejo, por conta dos preços do petróleo e do aço. ''Mas não se espera descontrole inflacionário'', disse, no Boletim Diário do Bradesco.
O presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Claudio Vaz, não vê mudanças significativas de preços industriais nos próximos meses. ''Ainda não há fôlego de demanda que permita aumento de preços'', afirmou. Vaz acredita que os reajustes dos salários dos trabalhadores da indústria, que ocorrem neste segundo semestre, só serão repassados ao comércio se houver condições de mercado, algo que ainda não se vê. No caso de aumentos reais, o empresário acredita que só não terão impacto nos preços se vierem acompanhados de ganhos de produtividade.
Na prática, alguns segmentos da indústria tentam elevar a produção para vender mais, uma forma de atenuar a defasagem de preços em relação às matérias primas.
A diretora da Associação Brasileira da Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino, diz, por exemplo, que no primeiro semestre do ano a alta média das matérias primas de embalagens (aço, alumínio, celulose, plásticos e vidro) foi de 26%, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o setor. Mas as embalagens subiram na média 12%. ''Há uma defasagem muito grande'', afirma a executiva.
Frente aos sinais de melhora na economia neste segundo semestre, com as datas-base, o 13º salário e o aumento do crédito, a estratégia das empresas para evitar um repasse acentuado é ampliar as vendas e, em consequência, a receita. ''Isso pode atenuar a manutenção do preços, já que é grande a pressão do atacado para que não haja repasse de preços'', acredita.
Já a indústria de brinquedos não conseguiu segurar o impacto da alta das matérias-primas. O preço médio dos brinquedos fabricados para o Dia das Crianças subiu 6%, mas ainda tem uma defasagem de 16,5% em relação à alta média dos preços das matérias prima s (22,5%), segundo avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq).
Para o Natal, caso não haja acordo com os fornecedores de plástico, aço, silicone e tecidos, pode haver mais um reajuste médio, na casa de 12%. Levantamento da entidade mostra que os preços do aço subiram 30% desde o início do ano, os dos plásticos, 26%, e dos tecidos, 14%.
O setor automotivo é um dos poucos que tem conseguido elevar os preços e manter a demanda em alta, provavelmente por conta da maior disponibilidade de crédito.


