Cláudia Lopes
De Londrina
Os comerciantes de Londrina estão apostando no Natal deste ano, apesar da recessão. A maioria prepara estoques maiores do que no ano passado, com previsões de aumento nas vendas de até 50%. Alguns lojistas arriscam o palpite de que o Natal será a ‘‘salvação da lavoura’’ já que os consumidores terão que comprar produtos de primeira necessidade. ‘‘Como o dinheiro ficou escasso o ano inteiro, muita gente vai dar presentes úteis como toalhas de banho, roupas de cama, meias, calças e camisas. As crianças deverão ganhar roupas em lugar de brinquedos’’, disse Felipe Nabhan, proprietário do Fred Magajeans.
Os preços dos presentes devem girar em torno de R$ 10, segundo a previsão do empresário. ‘‘As pessoas devem optar por lembranças mais baratas’’, afirma Nabhan, que vende calças jeans por R$ 9,80, camisas por R$ 7,90, camisetas por R$ 5,90 e toalhas de banho por R$ 3,90. ‘‘Um ano difícil como este contribui para um Natal melhor. Além disso, os consumidores já acabaram de pagar suas prestações de inverno e podem assumir novas dívidas’’.
O gerente da Riachuelo, Antonio Sampaio de Andrade, fechou o planejamento para o fim de ano na última quinta-feira. Com um estoque 30% maior do que no ano passado, a loja vai oferecer 200 mil itens. ‘‘Os consumidores aproveitam para recompor o guarda-roupa nesta época do ano, usando o 13º salário’’, diz.
A comerciante Regina Lúcia Louzada, dona da Confecções Cartola, afirma que está otimista. Neste Natal, ela espera vender 50% mais do que em dezembro passado. ‘‘Estou preparando um estoque 40% maior’’.
Regina também acredita que os londrinenses vão comprar peças mais baratas, de uso pessoal. ‘‘Um dos produtos mais procurados no ano passado foi uma camiseta que custava R$ 15. Neste ano, os consumidores vão fazer mais pesquisa ainda para conseguir melhores preços’’, imagina.
Os cerca de R$ 8 milhões pagos a título de 13º salário para o funcionalismo público de Londrina no final do mês passado não terá grande impacto no mês de dezembro, na avaliação do sindicato da categoria. ‘‘A maior parte dos funcionários usou o dinheiro para pagar contas e os juros do cheque especial. Pouca gente poupou para gastar no Natal’’, afirma o presidente do Sindiserv, Gláudio Renato de Lima.Lojistas em Londrina preparam estoques maiores do que em 98 apostando nos reflexos do consumo represado ao longo do ano
Paulo WolfgangPRIMEIRA NECESSIDADEFelipe Nabhan, proprietário do Fred Magajeans, prevê um final de ano marcado por ‘‘presentes úteis’’

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