Imagem ilustrativa da imagem Demanda por voos domésticos cai pelo 11º mês seguido
| Foto: Anderson Coelho
Em Londrina, o número de passageiros embarcando no transporte regular no mês passado caiu 27,25% em relação ao mesmo período de 2015



A aviação civil de passageiros teve retração de 5,87% na demanda em junho em voos nacionais, em comparação com o mesmo mês do ano passado. O resultado, divulgado ontem pela Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), consolida o 11º mês seguido de resultados negativos e é o pior mês de junho desde 2012. Os números são a compilação das estatísticas da Gol, Latam, Azul e Avianca, que detêm 99% do mercado doméstico. A associação não tem levantamentos regionais.
A demanda é a proporção de passageiros pagantes por quilômetro percorrido. Já a oferta, multiplicação de assentos por distância percorrida, teve recuo ainda maior, de 6,4%. E o fator de aproveitamento, relação entre os passageiros pagantes e poltronas ocupadas, teve leve alta de 0,44%, ficando em 78,19%.
No primeiro semestre, a demanda doméstica baixou 6,6% e teve desempenho pior do que a oferta, que encolheu 5,9%. Isso reduziu o fator de aproveitamento em 0,61% e o fluxo de passageiros retraiu 8%, para 43,2 milhões de viagens. Já a movimentação total de passageiros caiu 7% de janeiro a junho deste ano quando comparado com o mesmo período do ano anterior, somando cerca de 6,8 milhões de viagens no mês.
A FOLHA tentou repercutir com um porta-voz da Abear os números divulgados ontem, mas o órgão informou que ele estaria indisponível até hoje.

Voos em Londrina
Os números da Abear refletem, em parte, a situação do Aeroporto José Richa, que teve vários voos cancelados pelas três aéreas que operam no local. Segundo números da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o número de passageiros embarcando no transporte regular no mês passado caiu 27,25% em relação ao mesmo período de 2015 – foi de 42.642 em junho do ano passado para 31.020 neste ano.
Os desembarques também caíram de 42.625 em junho de 2015 para 29.926 em junho deste ano, um decréscimo de 29,79%. No acumulado do ano, os embarques caíram 20,49% e os desembarques, 22,08% em comparação com o primeiro semestre do ano passado.
No primeiro semestre do ano, Londrina viu a redução de itinerários oferecidos pela Azul, Gol e Latam, com cortes principalmente nos voos diretos para Curitiba. A justificativa foi a redução na demanda nacional, que obrigou todas a reverem suas malhas viárias.
O grupo Latam informou que já vinha projetando para o mercado brasileiro uma redução de 10% a 12% na oferta de voos domésticos para "adequar a sua malha aérea e enfrentar o contexto macroeconômico brasileiro desafiador".
A Azul disse que não informa ocupações de rotas específicas e que a ocupação média nacional é de 80%. Também afirmou que "as operações em Londrina seguem a média esperada pela empresa". Procurada, a Gol não deu retorno até o fechamento da reportagem.

‘Mais que viagens’
Com a redução no número de passageiros, os 12 comerciantes do terminal aéreo de Londrina se unem para contornar a situação. Com apoio da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), criaram o Núcleo Aeroviário do projeto Empreender.
Segundo Rosemaria de Oliveira Santos, proprietária da Fedora Semijoias, a proposta é fazer com que todos os moradores vejam o terminal como um centro de compras. "Não dá para aguardar apenas os passageiros. Queremos mostrar que o aeroporto é mais que um lugar de viagens", disse.
O primeiro objetivo, segundo ela, é desmistificar que os preços dos lojistas são altos. Para isso, devem lançar campanhas na mídia local e pela internet. Também estão nos planos a promoção de eventos culturais e sociais para atrair público.

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