A demanda por transporte aéreo doméstico teve, em setembro, o segundo mês consecutivo de queda. Depois de recuar 0,6% em agosto, a retração chegou a 0,8% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado. Nesse cenário de desaquecimento do mercado, a oferta foi ajustada aos níveis atuais de procura pelos serviços oferecidos pelas companhias, sendo reduzida em 1,9% no período. Como resultado, o fator de aproveitamento das operações registrou melhoria de 0,9 ponto percentual, ficando em 79,58% no mês. Os números foram divulgados ontem pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e levam em conta os dados das companhias TAM, Gol, Azul e Avianca, que representam 99% do setor nos voos domésticos.
O consultor técnico da Abear, Mauricio Emboaba, disse que estes números refletem o quadro da economia brasileira que está em retração e das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano que apontam uma queda expressiva.
Em 2014, a demanda por voos domésticos tinha crescido 6% e, para este ano, a Abear estima um crescimento menor de 2,5% a 3%. Ele lembrou que de janeiro a setembro, a demanda tinha crescido 3,32%, o que, não é considerado um alento para o setor já que ocorreu com esforços promocionais fortes. "Em termos econômicos as companhias estão em situação pior e com receita declinante".
Segundo ele, 60% dos custos das companhias aéreas são direta ou indiretamente ligados ao dólar, que fez subir os gastos com combustível e contratos de leasing e manutenção. A previsão é que os custos do setor fechem o ano com alta de 20% e as receitas com crescimento de 3%. Esse quadro pode levar o setor a um resultado operacional negativo recorde para as empresas brasileiras de aviação de R$ 7 bilhões.
Ele destacou ainda que, tradicionalmente, 60% dos movimento no setor é de passageiros de negócios e 40% de turismo nos voos domésticos. Mas, neste ano, com a desaceleração da economia, os voos de negócios caíram 40% e as companhias aéreas tiveram que aumentar as promoções para os voos de turismo.
Os dados divulgados pela Abear mostraram ainda que a TAM teve a maior pacela da demanda doméstica de setembro (37,40%), seguida da Gol (34,36%), da Azul (17,78%) e da Avianca (10,46%).
Nos principais aeroportos do Paraná administrados pela Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), os números também mostraram a queda de demanda. No Aeroporto Internacional Afonso Pena o número de pousos e decolagens de janeiro a setembro de 2015 foi de 56.574, volume abaixo do registrado no mesmo período do ano passado que chegou a 58.632. Em Londrina, foram 19.994 pousos e decolagens nos primeiros nove meses do ano contra 20.723 no mesmo período de 2014. Em Foz do Iguaçu, foram 15.121 e 13.882, respectivamente.

Internacional

No mercado internacional, onde as associadas da Abear respondem por 1/3 do total a oferta avançou 20,50% no mês, para uma demanda que cresceu menos, 14,37%. Foram contabilizadas 632 mil viagens internacionais, total 16,75% acima de setembro do ano passado.

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