Demanda por saúde e educação vai aumentar
O crescimento da classe média no Brasil e na América Latina cria uma necessidade maior de oferta de vagas no ensino público e qualificação dos trabalhadores. Os economistas ouvidos pela FOLHA acreditam que o maior poder de consumo fará o setor produtivo evoluir, mas que a capacitação da mão de obra ainda está aquém do exigido.
Conforme o relatório do Banco Mundial, a população que ascende à classe média costuma ter nível educacional mais elevado do que os que permanecem entre os vulneráveis e pobres. A manutenção do desenvolvimento depende da melhor educação.
O economista Roberto Zurcher diz que o País deveria oferecer vagas na universidade para todos que desejassem, mas reconhece que se trata de uma utopia. ''É preciso melhorar a qualidade e a quantidade (de vagas).''
Para o professor de economia Antônio Eduardo Nogueira, o Brasil vai precisar de trabalhadores qualificados em médio prazo. ''Precisa voltar a investir em cursos técnicos para qualificar pessoal em cinco ou dez anos'', diz. Zurcher lembra que a educação deve gerar maior cobrança por serviços públicos de qualidade.
Tanto Zurcher quanto Nogueira dizem que as empresas costumam se adaptar mais rapidamente do que o setor público às necessidades do consumidor. ''Se a economia é mais avançada, a indústria oferece produtos mais sofisticados. Se a classe média aumenta, eles produzem opções mais baratas'', diz Nogueira. (F.G.)





