Demanda por orgânico cresce, mas produção é pequena
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
O Paraná é o primeiro Estado do País em número de produtores de alimentos orgânicos, com 6.500 pessoas investindo nas lavouras sem agrotóxico, mas o terceiro - atrás de São Paulo e Rio Grande do Sul - em volume de produção. A Emater ainda não tem números oficiais, mas a safra 2006/2007 chegou perto de 105 mil toneladas, 17% a mais do que na safra anterior, quando foram colhidas 94.448 toneladas. A quantidade não é suficiente para atender a demanda, que cresce entre 30% a 50% ao ano, enquanto o aumento da produção varia entre 15% a 25% ao ano.
''A nossa produção é mínima para atender a quantidade de pessoas que procuram uma alimentação saudável. Precisamos aumentar, pelo menos, em dez vezes a produção'', informa Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de olericultura e agricultura orgânica da Emater-Paraná.
A falta de incentivo por parte dos órgãos públicos, os custos, a burocracia e o tempo necessário para converter uma lavoura do sistema convencional para o orgânico são apontados como os principais entraves para o incremento da produção. Apesar da quantidade de produtores, as áreas cultivadas são pequenas - três hectares em média.
O processo de conversão da lavoura leva em média três anos, o que faz os produtores, muitas vezes, desistirem no meio do caminho. ''Primeiro é preciso fazer a limpeza do solo contaminado com agrotóxicos, depois vem a etapa de introduzir o calcário, adubos verdes e orgânicos'', explica Hamerschmidt.
O custo de produção dos orgânicos, segundo o coordenador, fica entre 10% e 15% mais barato que o sistema convencional, mas exige muita mão-de-obra, já que os insumos são produzidos na propriedade. O produto, porém, tem bom valor agregado, alcançando preço 30% superior. ''Outro ponto é que a produção cai um pouco quando entra no sistema e depois de cinco anos, em média, iguala ou supera o convencional'', observa Hamerschmidt.
O principal produto orgânico do Estado são as hortaliças, cujas plantações estão concentradas nas regiões de Curitiba, Maringá, Londrina, Cascavel e Foz do Iguaçu. Ao todo são 1.200 produtores, a maioria pequenos. Só a Região Metropolitana de Curitiba responde por 50% da produção estadual.
''Nessa região temos nove feiras exclusivas de produtos orgânicos. E nunca volta produto, vende tudo'', repara Hamerschmidt. Ele acredita que a organização dessas feiras em outros locais do Estado seria ''um grande passo'' para incentivar o consumo e, consequentemente a produção. Londrina, por exemplo, ''importa'' hortaliças orgânicas das regiões de Cornélio Procópio, de Santo Antônio da Platina, de Maringá e até de Curitiba.
Em menor quantidade, o Paraná também produz, na linha de orgânicos, mandioca, cana-de-açúcar (açúcar mascavo), soja, frutas, café, milho e feijão. No caso da soja, segundo a Emater, 95% da produção é exportada.


