A corrida dos investidores aos dólares em janeiro, alimentada pela apreensão em relação à política cambial, chegou a um total de US$ 4 bilhões. Este é o valor que o governo foi obrigado a vender ao mercado, entre moeda estrangeiro ou papéis corrigidos pelo dólar, segundo indicam os números divulgados ontem pelo Tesouro Nacional.
O Banco Central evitou uma redução mais forte das reservas cambiais (estoques de moeda forte do governo) colocando no mercado cerca de R$ 2,8 bilhões de títulos corrigidos pelo dólar, segundo o documento divulgado pelo Tesouro. Além destas vendas, o Banco Central também vendeu em termos líquidos (descontando as compras) US$ 1,4 bilhão em papel moeda. O resultado final foi uma queda de US$ 1,2 bilhão nas reservas.
A busca por moeda estrangeira mostrou a desconfiança dos investidores em relação a uma possível desvalorização acelerada do real. A compra de dólares ou papéis corrigidos por moeda americana é uma forma de proteger aplicadores no caso de perda de valor da moeda nacional.
Na avaliação de técnicos do governo, esta desconfiança existia em função principalmente da expectativa de mudanças na política cambial e já estaria superada porque o BC, ao reajustar a banda cambial (intervalo de variação do dólar), não indicou nenhuma alteração de rumo. Na avaliação do mercado, o melhor momento para o governo mudar a política cambial seria justamente o do reajuste da banda.
Técnicos do Banco Central informaram que a maior demanda por dólares na forma de papel-moeda veio dos bancos estrangeiros ou com filiais no Exterior, que receberam transferências de bancos no Brasil. No segmento de dólar flutuante, as vendas líquidas do BC em janeiro chegaram a US$ 2,677 bilhões, dos quais apenas US$ 29 milhões correspondem a vendas diretamente a clientes de bancos. Parte disso foi compensado por uma compra líquida de dólares no mercado comercial, de US$ 1,3 bilhão.

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