Demanda por defensivos está fraca
São Paulo - Além da perda de renda, o executivo aponta a valorização do real em relação ao dólar como um dos fatores que estão inibindo o agricultor. ''Ele enxerga renda menor e compra menos.'' De toda forma, o real valorizado não fez o preço do fertilizante baixar. Segundo Daher, a alta do petróleo e do frete agiram em sentido contrário.
Esse movimento fica evidente na relação de troca entre o adubo e os grãos, hoje desfavorável ao agricultor. No caso da soja, atualmente são necessárias 21,2 sacas de 60 quilos do produto para adquirir uma tonelada de fertilizante. No ano passado, essa relação era de 17,4 sacas, segundo a Anda.
''Estamos vivendo uma época bastante cinzenta. Não temos estatísticas, mas a demanda por defensivos está fraca e atrasada'', afirma o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag), José Roberto Da Ros.
O cenário é confirmado pela Bayer CropScience, que atua na produção de defensivos. O diretor de Relações Institucionais, Peter Ahlgrimm, diz que as vendas estão limitadas porque boa parte da dívida da safra passada não foi paga.
Em anos normais, 50% dos volumes de defensivos usados na safra de grãos são negociados até julho e agosto. Neste ano, as quantidades são muito pequenas. Ele lembra que as vendas deverão ser menores no mercado porque há sobra de defensivo da safra passada.
''A compra de insumos está atrasada em pelo menos 45 dias'', diz Paulo Cau, diretor comercial da Monsanto, especializada em sementes e herbicidas. Ele constatou que a tendência de incorporação de novas áreas de plantio, especialmente nas regiões de fronteira agrícola, não deverá ocorrer. ''O custo de abertura de novas áreas ficou elevado diante do preço baixo da soja.'' (A.E.)





