A procura dos consumidores por crédito caiu 3,2% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, divulgado ontem. Em março, a demanda foi 7,5% inferior que a registrada no mesmo mês de 2013. Apenas na comparação com fevereiro deste ano houve elevação, de 1,9%. Altas taxas de juros, aumento da inflação e comprometimento da renda das famílias são apontados como causas da queda, que deve continuar nos próximos meses, segundo economistas.
Luciano D´Agostini, economista integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ressalta que as taxas de juros no País – tanto a básica (Selic) quanto as de cartões de crédito, limite, empréstimo pessoal – são muito altas, apesar de serem menores que há dez anos. Segundo ele, tanto consumidores quanto empresas estão endividados.
"Nas empresas, se compararmos o balanço patrimonial de 2008 para cá, percebemos um forte endividamento", afirma. "Enquanto as famílias estão ganhando o salário para pagar contas que fizeram em períodos passados, que são de médio e longo prazo", completa. Segundo D´Agostini, em média, 47% da renda das famílias está comprometida com o sistema financeiro, sendo que o índice máximo indicado seria de 30%. Em 2005, esse índice era de apenas 17%.
"A família típica, que comprou imóvel pelo Minha Casa Minha Vida, está enforcada, não consegue poupar", explica. O economista ressalta que, nesse cenário, o aumento da inflação contribui para a perda do poder de compra do trabalhador. "O governo está segurando o aumento da energia e dos combustíveis para conter o IPCA, porque esse aumento vai fazer com que a inflação dispare e até ultrapasse a meta (6,5%), fazendo arrefecer a demanda por crédito".
Antonio Eduardo Nogueira, professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (Uel), ressalta que o primeiro semestre é um período de pagamento de muitos impostos, por isso, sempre há o alerta para que o trabalhador poupe os rendimentos de fim de ano, como 13º salário. "Mas as pessoas estão endividadas, mesmo as que têm poupança. Muita gente das classes D e E acabou comprando motocicletas, carros, financiando moradia, que, apesar de ser um gasto preferível, aperta o orçamento familiar", destaca.

Perfil
Segundo o Serasa, houve recuo na demanda por crédito em todas as classes econômicas, mas a maior queda foi entre os consumidores com ganhos de até R$ 500 mensais: 7,6% de retração no trimestre. Na faixa entre R$ 5.000 e R$ 10.000 a procura caiu 6,8% e entre os que recebem acima de R$ 10.000 mensais a demanda diminuiu 7%. Nas faixas entre R$ 500 e R$ 1.000 ocorreu redução de 3,1%. Entre os trabalhadores com renda entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais a queda foi de -1,4% e entre R$ 2.000 e R$ 5.000, -4,4%. Entre as regiões, a Centro-Oeste foi a que registrou a maior queda (-7,8%); seguida pelas regiões Sudeste (-4,1%); Norte (-2,7%); Sul, (-1,4%) e Nordeste (-0,3%).

Imagem ilustrativa da imagem Demanda por crédito tem retração de 3,2% no trimestre
mockup