Demanda por crédito tem retração de 3,2% no trimestre
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
A procura dos consumidores por crédito caiu 3,2% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, divulgado ontem. Em março, a demanda foi 7,5% inferior que a registrada no mesmo mês de 2013. Apenas na comparação com fevereiro deste ano houve elevação, de 1,9%. Altas taxas de juros, aumento da inflação e comprometimento da renda das famílias são apontados como causas da queda, que deve continuar nos próximos meses, segundo economistas.
Luciano D´Agostini, economista integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ressalta que as taxas de juros no País tanto a básica (Selic) quanto as de cartões de crédito, limite, empréstimo pessoal são muito altas, apesar de serem menores que há dez anos. Segundo ele, tanto consumidores quanto empresas estão endividados.
"Nas empresas, se compararmos o balanço patrimonial de 2008 para cá, percebemos um forte endividamento", afirma. "Enquanto as famílias estão ganhando o salário para pagar contas que fizeram em períodos passados, que são de médio e longo prazo", completa. Segundo D´Agostini, em média, 47% da renda das famílias está comprometida com o sistema financeiro, sendo que o índice máximo indicado seria de 30%. Em 2005, esse índice era de apenas 17%.
"A família típica, que comprou imóvel pelo Minha Casa Minha Vida, está enforcada, não consegue poupar", explica. O economista ressalta que, nesse cenário, o aumento da inflação contribui para a perda do poder de compra do trabalhador. "O governo está segurando o aumento da energia e dos combustíveis para conter o IPCA, porque esse aumento vai fazer com que a inflação dispare e até ultrapasse a meta (6,5%), fazendo arrefecer a demanda por crédito".
Antonio Eduardo Nogueira, professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (Uel), ressalta que o primeiro semestre é um período de pagamento de muitos impostos, por isso, sempre há o alerta para que o trabalhador poupe os rendimentos de fim de ano, como 13º salário. "Mas as pessoas estão endividadas, mesmo as que têm poupança. Muita gente das classes D e E acabou comprando motocicletas, carros, financiando moradia, que, apesar de ser um gasto preferível, aperta o orçamento familiar", destaca.
Perfil
Segundo o Serasa, houve recuo na demanda por crédito em todas as classes econômicas, mas a maior queda foi entre os consumidores com ganhos de até R$ 500 mensais: 7,6% de retração no trimestre. Na faixa entre R$ 5.000 e R$ 10.000 a procura caiu 6,8% e entre os que recebem acima de R$ 10.000 mensais a demanda diminuiu 7%. Nas faixas entre R$ 500 e R$ 1.000 ocorreu redução de 3,1%. Entre os trabalhadores com renda entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais a queda foi de -1,4% e entre R$ 2.000 e R$ 5.000, -4,4%. Entre as regiões, a Centro-Oeste foi a que registrou a maior queda (-7,8%); seguida pelas regiões Sudeste (-4,1%); Norte (-2,7%); Sul, (-1,4%) e Nordeste (-0,3%).



