Demanda por alimentos deve dobrar até 2050
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terça-feira, 28 de agosto de 2007
Alexandre Inacio<br>Agência Estado 
São Paulo - A demanda mundial de alimentos deverá ser duplicada até o final da primeira metade do século e, com isso, criará oportunidades para os países produtores de commodities agrícolas. A expectativa é de Robert Thompson, professor da Universidade de Illinois (EUA), que participou ontem do 6º Congresso Brasileiro de Agribusiness, realizado pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), em São Paulo.
Em sua avaliação, apesar de a expectativa de redução de 10% da população européia nos próximos 45 anos, o crescimento populacional dos países asiáticos e o aumento da renda dessas pessoas irá provocar uma mudança nos hábitos alimentares capaz de impulsionar a necessidade de alimentos. ''Nesse período, a população mundial chegará a 9 bilhões de pessoas e grande parte dela estará em países em desenvolvimento, entre eles os asiáticos'', afirma Thompson.
De acordo com o professor americano, 46% da população chinesa vive com uma renda diária de até US$ 2,00 (cerca de R$ 4). No caso da Índia, a fatia da população dentro dessa faixa de renda é de 79% da população. No Brasil, apenas 21% da população vive com menos de US$ 2,00 diários.
''O potencial de crescimento no consumo de alimentos é muito grande e nos países em desenvolvimento essa demanda será maior do que a capacidade de produção e abastecimento interno, o que abrirá mercado para importar alimentos'', afirma Thompson.
Dentro desse cenário, o professor ressalta a decisão dos produtores norte-americanos em se dedicar mais ao abastecimento doméstico de etanol do que o de atender a demanda internacional de alimentos. ''Alguém precisa assumir o papel de fornecedor mundial de alimentos, já que os americanos estão se concentrando na produção de etanol'', afirma, ao lembrar que as políticas agrícolas adotadas pelos países desenvolvidos ainda são um problema a ser solucionado.
Para Thompson, o crescimento na oferta de alimentos poderá acontecer sem prejudicar o meio ambiente, já que poderia ser incluído mais 12% de terras agricultáveis em todo o mundo sem provocar nenhum tipo de desmatamento. Apesar da possibilidade de ampliar a área plantada mundial, o professor considera essencial a capacidade de se desenvolver tecnologias que permitam dobrar a produtividade média de produção de alimentos para manter a preservação ambiental.


