A crescente demanda pelas oleaginosas - para alimentação humana e para a energia - vai manter em alta o preço da soja. O aumento da área plantada nos Estados Unidos, divulgado no final do mês passado, provocou volatilidade no mercado, mas para este ano a tendência é de bons preços, pelo menos, nos atuais patamares: na casa dos R$ 45 a saca de 60 quilos. O assunto foi abordado ontem em seminário sobre o gerenciamento de risco em commodities, durante a 48 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
Segundo o consultor Etore Otávio Baroni, da FC Stone, a redução da área plantada de soja no ano passado nos Estados Unidos, a demanda constante pelo grão e a queda dos estoques americanos contribuíram para a explosão de preços registrada no mês passado, quando a cotação bateu na casa dos US$ 16 o bushel na Bolsa de Chicago, um recorde histórico. De acordo com ele, os estoques começaram a cair de forma acentuada há três anos, com o incremento dos programas de energia a partir do óleo de soja.
Além disso, o consumo para alimentação também vem crescendo. Para este ano, a estimativa é de um incremento de 4%, devido ao aumento da demanda chinesa e indiana. No ano passado, houve uma redução de 16% na área plantada de soja nos Estados Unidos, que perdeu espaço para o milho devido ao etanol. Como consequência, os estoques começaram a cair, atingindo 49 milhões de toneladas, um dos menores patamares já registrados. ''O mundo não enfrenta problemas por causa da soja, a demanda e a oferta são constantes. O problema está nos Estados Unidos, que perdeu estoque'', avaliou Baroni.
Outro problema apontado é a desvalorização do dólar frente às demais moedas. Como a cotação das commodities está atrelada ao dólar, a moeda americana acaba por baratear os grãos, estimulando a demanda. Segundo o consultor, apesar da divulgação do biodiesel, não haveria soja disponível no mercado para atender toda a demanda. ''A capacidade instalada de esmagamento é duas vezes maior do que a demanda. O problema é que não sabemos ainda qual a demanda e a oferta mundial pelo óleo'', avaliou o consultor. Ele ainda considerou que a formação de preços obedece demanda, oferta, clima e política.

mockup